Humala enfrenta complexo cenário político enquanto economia perde impulso

  • Por Agencia EFE
  • 22/12/2014 18h10

Carmen Jiménez.

Lima, 22 dez (EFE).- O presidente do Peru, Ollanta Humala, enfrentou este ano um complexo cenário político que o fez remodelar várias vezes seu gabinete de governo, ao mesmo tempo em que os escândalos de corrupção foram a tônica geral, enquanto a economia seguia perdendo impulso.

Os confrontos com a oposição e a perda da maioria governista no Congresso foram os principais fatores de dificuldades para Humala em seu mais recente ano e meio de mandato.

Na reta final do ano, os vários escândalos de corrupção que afetam antigos colaboradores de Humala respingaram em sua popularidade e monopolizaram as críticas da oposição.

Mas das denúncias de corrupção também não se salvaram os ex-presidentes Alan García e Alejandro Toledo, nem Alberto Fujimori (1990-2000), condenado a 25 anos de prisão por violação dos direitos humanos e atualmente sendo processado por peculato.

O cenário do frequente enfrentamento entre governo e oposição é também o ambiente quase pré-eleitoral do país, embora falte ainda quase ano e meio para as eleições.

A polêmica pelo protagonismo da primeira-dama peruana, Nadine Heredia, no Executivo e sua eventual candidatura eleitoral para 2016 também esteve na origem de várias das crises políticas.

Neste ano, a oposição peruana pôs duas vezes o governo nas cordas ao não apoiar no Congresso tanto Ana Jara como seu antecessor na presidência do Conselho de Ministros, René Cornejo, que renunciou após um escândalo causado pela denúncia jornalística de uma suposta campanha de desprestígio contra um legislador opositor.

A advogada Jara, sexta titular do gabinete neste mandato de Humala, só conseguiu em agosto o voto de confiança do Congresso, necessário para se manter no cargo, graças ao voto da presidente do parlamento, Ana María Solórzano, depois de haver um empate na terceira votação.

O governo, após a renúncia de seis membros da bancada Nacionalista, já não tem maioria nem sequer com o apoio de toda a bancada do partido Peru Possível, liderado pelo ex-presidente Alejandro Toledo.

O desfile de ministros foi uma constante no governo de Humala, desde que iniciou sua gestão em julho de 2011.

Para lidar com a insegurança da população, uma das principais preocupações dos peruanos, Humala nomeou em junho seu sexto ministro do Interior, Daniel Urresti, que foi recebido com críticas pela oposição por seu perfil militar e pelas denúncias de sua vinculação com o assassinato de um jornalista em 1988, quando era chefe de uma base militar na região de Ayacucho.

Apesar destas denúncias, Urresti se transformou em uma das figuras com maior popularidade do governo de Humala graças a seu perfil midiático e a sua política de mão firme.

O rumo econômico do governo também foi questionado pela oposição.

Para reativar a economia peruana, que sofreu com queda dos preços dos minerais e por um arrefecimento dos investimentos, o governo aprovou uma série de pacotes econômicos que contêm medidas tributárias e de gasto público para fortalecer o consumo e o investimento.

A economia atravessa uma marcada desaceleração. Depois de crescer 5,8% em 2013, terminará este ano com um pouco menos da metade, 2,7%.

O ano de 2014 também foi de eleições no Peru. Os partidos nacionais saíram derrotados nas eleições municipais e regionais pelos movimentos locais.

A campanha eleitoral esteve infestada de denúncias de candidaturas vinculadas a diversos crimes de corrupção e inclusive ao narcotráfico, o que levou o Executivo a publicar listas de quem tem penas vigentes ou processos judiciais.

Um dos mais importantes e mais recentes casos de corrupção foi o do ex-presidente da região de Áncash, César Álvarez, preso sob a acusação de ter armado uma rede de corrupção que incluiu a contratação de mercenários contra seus opositores.

Outro caso é o do empresário Rodolfo Orellana, detido na Colômbia e acusado de dirigir um esquema de lavagem de dinheiro.

Em política externa, Humala iniciou o ano com a decisão da Corte Internacional de Justiça de Haia (CIJ) que, além de fechar suas fronteiras com um ganho de 50 mil quilômetros quadrados de mar, permitiu abrir uma nova etapa em suas relações com o Chile. EFE