Milhares de pessoas se manifestam no Chile a favor do aborto

  • Por Agencia EFE
  • 25/07/2014 23h01

Santiago do Chile, 25 jul (EFE).- Cerca de três mil pessoas se manifestaram nesta sexta-feira em Santiago do Chile a favor do aborto “livre e gratuito”.

A mobilização foi convocada por mais de 50 organizações feministas e de outros âmbitos sob o lema “Aborto livre, gratuito e seguro”.

Os manifestantes se reuniram na Plaza Itália e avançaram pela Alameda, a principal artéria da capital chilena, vigiados por um amplo contingente policial.

Esta vigilância se explica porque no ano passado, em outra manifestação a favor do aborto convocada pelas mesmas organizações, um grupo de pessoas invadiu a Catedral Metropolitana, interrompeu um culto e fez pichações em seu interior.

Angie Mendoza, porta-voz da Coordenadoria Feministas em Luta, disse aos jornalistas que no Chile se realizam a cada ano 160 mil abortos, apesar de estar totalmente proibido.

A presidente Michelle Bachelet anunciou há poucos meses sua intenção de elaborar um projeto de lei para descriminalizar o aborto quando esteja em risco a vida da mãe, em caso de estupro ou se o feto é inviável.

Mendoza considerou que estas três causais são “insuficientes” e que a interrupção da gravidez deveria ser uma possibilidade à qual podem optar todas as mulheres. “É um problema que hoje em dia existe, não se pode ocultar”, acrescentou.

O aborto está proibido no Chile por uma norma imposta pelo ditador Augusto Pinochet em 1989, pouco antes de entregar o poder, ao modificar o artigo 119 do Código Sanitário, que desde 1931 permitia neste país o aborto terapêutico.

Após a modificação, o texto assinala que “não poderá ser executada nenhuma ação cujo fim seja provocar o aborto”. EFE

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