Acionistas da Nissan decidem destituir Carlos Ghosn do conselho da empresa

  • Por Jovem Pan
  • 08/04/2019 12h15
Agência EFEO brasileiro Carlos Ghosn foi preso mais uma vez no último dia 3 de abril

A junta de acionistas da Nissan Motor aprovou nesta segunda-feira (8), por maioria, a destituição do ex-presidente Carlos Ghosn como conselheiro da companhia. O empresário esteve à frente do cargo nos últimos 20 anos.

Além da destituição de Ghosn, foi aprovada também a retirada como conselheiro de Greg Kelly, ex-diretor próximo a Ghosn. Ele é considerado peça-chave nas irregularidades das quais o agora ex-executivo é acusado.

A Nissan destituiu Ghosn como presidente em 22 de novembro de 2018, três dias depois que ele foi detido em Tóquio por suposta fraude fiscal. O empresário, no entanto, continuava fazendo parte do Conselho de Administração até a ratificação da decisão desta segunda-feira. A decisão foi anunciada pelo diretor-executivo da Nissan, Hiroto Saikawa, em uma junta extraordinária de acionistas realizada em Tóquio que durou aproximadamente três horas e foi transmitida ao vivo pela companhia na internet.

Durante a reunião, na qual falaram mais de 20 acionistas, foram abordadas diferentes questões: desde as irregularidades financeiras de Ghosn em si, até o papel desempenhado pelos membros atuais da junta e seu futuro. Nesse sentido, Saikawa manifestou sua intenção de continuar à frente da companhia para “minimizar a incerteza na empresa e o efeito na Aliança” Nissan-Renault-Mitsubishi Motors, e não considerar sua saída até recuperar “a estabilidade”.

O executivo disse que o prejuízo causado por Ghosn “é grande” e não será solucionado da noite para o dia, e afirmou que a Nissan está considerando processar o ex-presidente em busca de uma compensação. Ao ser perguntado sobre se a empresa tem intenção de pagar a aposentadoria de Ghosn, Saikawa declarou: “Não queremos pagar. Agora temos que ver o que podemos fazer judicialmente”.

A Renault decidiu na semana passada retirar de Ghosn o grosso de seus direitos de aposentadoria, após considerar que ele realizou “práticas contestáveis” à frente da companhia, descobertas durante a investigação interna aberta por conta dos inquéritos japoneses.

*Com informações da Agência EFE