Aquecimento global vai mudar a cor dos oceanos até o fim deste século

  • Por Jovem Pan
  • 04/02/2019 19h29
Jonne Roriz/Estadão ConteúdoQuanto mais azul for a água, menos vida marinha existe no local

A cor de mais de 50% dos oceanos de todo o mundo terão sofrido alterações até 2100, por causa das mudanças climáticas do planeta. É o que aponta um estudo realizado pelo Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), dos Estados Unidos.

A pesquisa, revelada nesta segunda-feira (4) pela publicação Nature Communications, concluiu que o aquecimento global está provocando grandes alterações nas populações de fitoplâncton, um vegetal aquático microscópico. Isso vai afetar a cor dos oceanos.

Os resultados preveem que as regiões azuis ficarão ainda mais azuis, refletindo a diminuição dos níveis de fitoplâncton – e da vida marinha em geral -, e as verdes ficarão ainda mais verdes, o que indicaria uma proligeração de espécies de fitoplâncton.

A cor do mar

A cor dos oceanos depende da forma como os raios de sol interagem com os componentes da água. As moléculas aquáticas absorvem quase toda a luz solar, exceto a parte azul, o que significa que as regiões do oceano com menos vida têm um azul intenso.

Por outro lado, o fitoplâncton contém clorofila, que absorve mais azul e menos verde. Por isso as regiões ricas em algas são esverdeadas. Para o estudo, pesquisadores desenvolveram modelo que simula a interação de espécies e fitoplâncton e suas variações.

Também foi possível reproduzir a maneira de absolução da luz e alteração da cor dos oceanos, levando em conta o clima. O grupo ainda aprimorou modelo informático utilizado para prever alteração em níveis de fitoplâncton quando as temperaturas sobem.

Além disso, pesquisadores acrescentaram um elemento novo às técnicas de estudo: a possibilidade de calcular as ondas de luz absorvidas e refletidas pelo oceano, dependendo da quantidade e dos tipos de organismos em determinada região.

Segundo o modelo, no final deste século o aspecto do planeta será alterado. Stephanie Dutkiewicz, diretora do projeto, prevê que mudanças entre comunidades de fitoplâncton podem alterar as cadeias alimentares, o que considera um problema “potencialmente sério”.

No entanto, ela admite a dificuldade de determinar se as alterações se devem à mudança climática ou à variabilidade natural. “Um fenômeno como El Niño ou La Niña provocaria mudança na clorofila porque varia a quantidade de nutrientes que chegam ao sistema.”

*Com informações da EFE