Casa Branca confirma que Brasil abriu mão de status na OMC por apoio norte-americano na OCDE

  • Por Rafael Iglesias/Jovem Pan
  • 19/03/2019 19h17
EFEPresidentes se reuniram nesta terça-feira em Washington, capital dos EUA

A Casa Branca, sede do governo dos Estados Unidos, confirmou na noite desta terça-feira (19) que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, concordou em abandonar o status de tratamento especial na Organização Mundial do Comércio (OMC) como contrapartida pelo apoio ao ingresso na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Bolsonaro não havia detalhado a questão à imprensa.

Em conversa com jornalistas, mais cedo, o presidente brasileiro chegou a indicar que a situação na OMC era “uma questão de tempo”. Essa é uma mudança no grupo internacional Atualmente, o Brasil está em lista de tratamento especial que – por exemplo – dá maior flexibilidade no cumprimento de acordos com nações parceiras.

De acordo com Bolsonaro, “nada com profundidade foi tratado” sobre esse tema em reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump, realizada na capital Washington. A OMC, entretanto, nunca foi bem vista pelos norte-americanos. Nela, países realizam pactos consensuais de comércio. A União Europeia é um dos membros.

A contrariedade dos Estados Unidos com a organização é o fato de que os próprios países-membro se autodenominam com status de “em desenvolvimento”. Esse grupo é o que tem maioria na OMC, apesar da presença de nações desenvolvidas, como o Japão, a Alemanha e o próprio bloco europeu. O governo norte-americano não faz parte.

OCDE

Essa saída do Brasil da lista especial da OMC seria uma das reivindicações feitas pelo governo de Trump para que os Estados Unidos apoiam o pleito brasileiro de ingressar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne países “ricos” para cooperação e discussão de políticas e econômicas para guiar membros.

Mais cedo, ao ser questionado sobre possíveis contrapartidas pelo apoio ao ingresso na OCDE, Trump disse que fará pedidos, mas não os especificou. “Nós vamos apoiar [a entrada na OCDE]. Nós teremos [lá] uma ótima relação em vários aspectos. Vamos pedir algumas coisas, mas que não precisar ter necessariamente a ver com isso.”

No dia anterior (18), o ministro brasileiro da Economia, Paulo Guedes, se reuniu com o representante comercial dos EUA. Após a reunião, disse que o norte-americano tinha sido “um pouco duro” e destacou que o país só apoiaria o ingresso na OCDE caso o Brasil abrisse mão “do grupo favorecido da OMC [Organização Mundial do Comércio]”.