Governo de Hong Kong adia polêmico projeto de lei após protestos

  • Por Jovem Pan
  • 15/06/2019 10h04
EFE/ Jerome FavrePopulação foi às ruas de Hong Kong protestar contra a lei de extradição

A chefe do governo de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou neste sábado (15) a “suspensão” da sua polêmica proposta de lei de extradição, que gerou uma grande oposição nas ruas durante a última semana e a rejeição geral da sociedade.

Carrie esclareceu em entrevista coletiva que a segunda leitura do projeto, que poderia permitir que a China tenha acesso a “fugitivos” em Hong Kong, está “suspensa” até novo aviso, mas não estabeleceu nenhum prazo específico para retomar o projeto. A chefe do Governo disse que seu objetivo original era cobrir um vácuo legal para “impedir que Hong Kong se tornasse um paraíso para os criminosos”, um objetivo que “não mudou”.

“Nós criamos um grande conflito e muitas pessoas estão decepcionadas e tristes, eu também estou triste e sinto muito por desencadear este conflito. Nós aceitamos as críticas com sinceridade e humildade, e vamos melhorar. O governo escutará abertamente as opiniões sobre o projeto legislativo. Vamos nos comunicar com a sociedade, vamos explicar mais e vamos ouvir mais”, disse Lam.

A decisão chega depois que Carrie Lam se reuniu com membros de seu Conselho, na véspera de uma nova manifestação marcada para este sábado e domingo (16), depois que vários partidários dos regulamentos pediram nesta sexta (14) o adiamento do projeto.

A manifestação de amanhã, que os organizadores ainda não cancelaram, segue os protestos da última quarta-feira (12), quando milhares de pessoas saíram às ruas para pedir o cancelamento do texto, embora então apenas conseguiram o adiamento da sua segunda leitura no Legislativo.

A polícia dispersou as manifestações na sede parlamentar utilizando a força – usando gás lacrimogêneo e balas de borracha – deixando 81 feridos (dois deles em estado grave), e 11 detidos, segundo as forças de segurança locais.

“Como governo responsável, devemos defender a lei e a ordem. Esta é a missão da polícia”, indicou Carrie, precisando que as câmeras de segurança mostram muitos manifestantes atacando os agentes. “Mas também temos de ser racionais e proteger os melhores interesses de Hong Kong”, disse a chefe do Executivo.

Na verdade, uma das reivindicações dos manifestantes para amanhã é que o governo condene o “excessivo uso da força” por parte da polícia e “que liberte os presos nos protestos”, disse hoje uma das organizações convocadas.

Por sua parte, Pequim reiterou durante toda a semana seu apoio à intervenção policial em Hong Kong e a intenção do governo local de continuar com o processamento dessa legislação.

Proposta em fevereiro e com uma votação final que estava originalmente agendada para o próximo dia 20, a lei permitiria que o Chefe do Executivo e os tribunais de Hong Kong processassem pedidos de extradição de jurisdições sem acordos prévios – em particular, a China e Taiwan – sem supervisão legislativa.

No entanto, o projeto encontrou oposição de um amplo espectro social, de estudantes a empresários, que expressaram preocupação com o risco de residentes de Hong Kong acusados de crimes serem transferidos para a China continental.

*Com EFE