Menores resgatados na Tailândia cavaram túnel para se manter aquecidos

  • Por EFE
  • 11/07/2018 14h58
EFE/ Thai Navy Seal Membros de equipes de resgate tiram garoto de caverna da Tailândia

O treinador dos 12 menores que passaram mais de duas semanas presos em uma caverna na Tailândia pediu que cavassem um túnel para que se mantivessem aquecidos e os ensinou técnicas de meditação para que gastassem menos oxigênio, segundo relatou nesta quarta-feira à “BBC” o almirante da Marinha tailandesa Arpakorn Yuukongkaew.

O responsável da operação de resgate admitiu que quando conheceu pela primeira vez a situação dos meninos, sua equipe só tinha “uma pequena esperança” de encontrá-los com vida no interior da caverna Tham Luang, na qual o grupo ficou preso em 23 de junho.

“Ao final, essa pequena esperança se tornou realidade. Devo dizer que fizeram tudo muito bem, especialmente o treinador”, afirmou Yuukongkaew, que afirmou que “utilizaram pedras para cavar até cinco metros e criar um túnel que lhes permitisse se manter aquecidos”.

“Pelo o que sei, o treinador era um monge (budista), portanto conhece técnicas de meditação e as utilizou para acalmar os meninos e conseguir que utilizassem a menor quantidade de ar possível”, detalhou o almirante tailandês.

Yuukongkaw rendeu, além disso, homenagem ao seu companheiro Saman Gunan, que morreu afogado quando retornava de uma missão para levar provisões aos meninos.

“Esta era uma missão muito arriscada. Mergulhávamos em condições que nunca tínhamos visto. Ele (Gunan) era uma pessoa sacrificada, o sacrifício que fez foi de uma enorme honorabilidade”, afirmou.

O chefe da equipe de resgate detalhou que o mergulhador tinha se aposentado da Marinha há alguns anos.

“Quando este incidente ocorreu, ele soube que podia ajudar, portanto se apresentou como voluntário”, disse Yuukongkaw, que recalcou que “os tailandeses e as pessoas do mundo inteiro respeitam o que fez e lhe consideram um herói”.

Sobre si mesmo e o resto dos seus companheiros, o almirante sustentou que não são “heróis”, mas fizeram tudo o que puderam “da melhor forma possível”.

“A única coisa que não podíamos fazer era deixar aquelas pessoas”, alegou Yuukongkaw, que se declarou “feliz” porque os 13 presos foram resgatados com vida.

“Sofremos vários contratempos. O nível da água esteve subindo de forma paulatina e não pensávamos que a missão teria este sucesso”, reconheceu.

Os 12 meninos, de entre 11 e 16 anos, e o treinador, de 26, entraram na caverna tailandesa de Tham Luang, situada no norte da província de Chiang Rai, após um treino em 23 de junho, quando uma súbita tempestade inundou o caminho de saída.

O grupo esteve perdido por nove dias e sem alimentos até ser localizado e finalmente foi resgatado entre domingo e terça-feira.