Separatistas sequestram 79 estudantes de escola presbiteriana em Camarões

  • Por Jovem Pan
  • 05/11/2018 15h48
ReproduçãoPelo menos 79 estudantes foram sequestrados, além do diretor e outros dois funcionários da escola

Pelo menos 79 estudantes, o diretor e dois funcionários de uma escola presbiteriana em Camarões, na África Central, foram sequestrados por homens armados membros do grupo separatista Amba Boys no último domingo (4).

Um vídeo das crianças sequestradas foi divulgado na internet pelos separatistas e alguns pais de alunos reconheceram seus filhos. Os sequestradores afirmam na publicação que agora as crianças terão aulas onde estão e que só serão liberadas após conseguirem o que desejam. Ainda no vídeo, garotos que foram sequestrados são obrigados a dizer seus nomes e nomes de parentes.

Os Amba Boys têm esse nome em homenagem a região de Ambazonia, no noroeste e sudoeste do país, que busca estabelecer governo e ser reconhecida como Estado. A situação política de Camarões é bastante instável e piorou desde a repressão do estado a manifestantes contrários ao presidente.

O governo camaronês, liderado pelo presidente Paul Biya, reeleito para seu sétimo mandato em eleições marcadas por irregularidades, é acusado pelos separatistas de marginalizar a minoria fluente em inglês da qual fazem parte em detrimento dos fluentes em francês que são maioria no governo.

A escalada de violência

Ao longo de 2017, centenas de pessoas morreram devido a escalada da violência entre membros do Amba Boys e as Forças Armadas camaronesas. Biya é o 2º presidente de Camarões, país que após a primeira grande guerra tornou-se colônia, sendo dividida entre Reino Unido e França, esta última com maior influência e poder no território.

Na pós-independência, o 1º presidente camaronês, Ahmadou Ahidjo, governou de 1961 a 1982 após tornar todos os partidos que não o seu ilegais e substituir o modelo federativo de governo pelo unitário em que os estados respondem diretamente a um governo centralizado.

Biya, então primeiro-ministro, chegou ao cargo máximo no executivo com a renúncia de Ahidjo. Ele sobreviveu a uma tentativa de golpe de estado apenas dois anos depois, durante a eleição em que era candidato único. Desde então, mesmo não sendo mais candidato único, Biya continua a se reeleger em pleitos denunciados por órgãos internacionais como fraudulentos.