Trump se recusa a permitir que Rússia interrogue funcionários americanos

  • Por Agência EFE
  • 19/07/2018 17h38
Agência EFE"É uma proposta que o presidente Putin fez de forma sincera, mas o presidente Trump não está de acordo com ela", declarou a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “não está de acordo” com a proposta feita por seu homólogo da Rússia, Vladimir Putin, de interrogar cidadãos americanos acusados de crimes por Moscou, mas confia mesmo assim que o Kremlin entregará os 12 espiões acusados por Washington, informou nesta quinta-feira (19) a Casa Branca.

“É uma proposta que o presidente Putin fez de forma sincera, mas o presidente Trump não está de acordo com ela”, declarou a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, em um breve comunicado.

“Esperamos que o presidente Putin permita que os 12 russos identificados (e acusados por um grande júri federal dos EUA) venham aos Estados Unidos para demonstrar sua inocência ou culpabilidade”, acrescentou a porta-voz.

Durante sua entrevista coletiva junto a Putin nesta segunda-feira em Helsinque, Trump revelou que o presidente da Rússia tinha feito uma proposta relacionada aos 12 agentes de inteligência russa contra os quais o promotor especial americano Robert Mueller apresentou acusações na semana passada dentro do caso do conluio russo.

“(Putin) me ofereceu que as pessoas que estão trabalhando no caso (sobre a suposta ingerência eleitoral russa) viajem (à Rússia) e trabalhem com os investigadores (locais) no relativo às 12 pessoas. E isso é uma oferta incrível”, opinou Trump nesse dia.

Na mesma entrevista coletiva, Putin confirmou que estava disposto a permitir que Mueller enviasse investigadores à Rússia para interrogar pessoalmente os 12 acusados, mas impôs uma condição.

“Esperaríamos que os americanos, como medida recíproca, questionem funcionários dos Estados Unidos, incluindo aqueles de agências de segurança e inteligência, que acreditamos que têm algo a ver com ações ilegais no território da Rússia, e nós pediríamos a presença de nossos agentes”, indicou Putin.

O nome de Michael McFaul, um ex-embaixador americano em Moscou, começou a soar pouco depois nos meios de comunicação como um dos prováveis alvos desse interrogatório, junto ao investidor americano-britânico Bill Browder.

Em entrevista coletiva, Sanders reconheceu ontem que Trump planejava “reunir-se com sua equipe” para avaliar a proposta de Putin, o que disparou as críticas contra a Casa Branca por sequer considerar essa ideia.

Sanders emitiu o comunicado no qual descartava a proposta pouco antes que o Senado votasse uma resolução apresentada pelo líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, que exigia que a Casa Branca se negasse a permitir que o Kremlin interrogasse qualquer funcionário ou ex-funcionário do país.