Pesquisa aponta que a evolução dos alunos é o maior estímulo dos professores

  • Por Jovem Pan
  • 27/06/2016 11h09
Aluna

 Ver os alunos aprendendo de verdade é o que mais motiva os professores brasileiros a continuarem na carreira do magistério. Mas não terem respaldo psicológico para lidar com os problemas em classe é um dos pontos que mais preocupa os educadores, segundo uma pesquisa nacional sobre educação divulgada nesta segunda-feira (27) pela Fundação Lemann.

A principal urgência apontada pelos professores de todo o Brasil a ser encarada dentro da sala de aula é a falta de um acompanhamento psicológico para os alunos. Supera até a indisciplina dos estudantes, é maior que a insatisfação com o salário baixo e deixa para trás a precariedade das escolas públicas do País, como ressalta a pedagoga Magda de Oliveira: “Às vezes a gente precisa mesmo da ajuda de uma especialista para mostrar um caminho que nós professores não sabemos, que vai além da pedagogia”.

Magda de Oliveira, que tem 30 anos de carreira, resume a constatação que aparece em no grande levantamento realizado pelo IBOPE a pedido da Fundação Lemann. O problema atinge todas as etapas de ensino e regiões e, de acordo com a segunda edição da pesquisa, 96% dos professores gostariam de ter, além de um pedagogo, um psicólogo à disposição.

E não só para os alunos, como ressalta a doutora em educação pela USP, Silvia Colello: “Os professores, de forma geral, estão cada vez mais adoecendo, essa é uma realidade muito trágica. Foram 136 mil afastamentos concedidos em 2015 e 27% são por transtornos mentais. É um número muito assustador. Ainda que a Secretaria da Educação possa investir em mecanismos para lidar com esses problemas, com professores substitutos, o problema é real, acho que negar esse problema é negar alternativas de solução”.

Outro desabafo dos professores é com a indisciplina. E não faltam histórias sobre o tema. Ana, que dá aula para o ensino médio em uma escola da rede estadual de São Paulo, lembra bem uma dessas situações: “Eu estava dando aula de português e tinha o aluno que sempre perturbava. Nesse dia eu falei: “rapazinho, dá uma saída, vai esfriar cabeça, bebe água”. Ele voltou e abriu a porta com o cabelo todo molhado e disse: “você pediu para eu esfriar a cabeça”, os alunos levaram na gargalhada”.

A atitude do aluno não é algo que se poderia prever, mas mostra a dificuldade e a fragilidade do professor, que, na visão do diretor executivo da Fundação Lemann, Denis Mizne, precisa ser reparada ainda na formação: “Quão preparados os professores estão para gerir sua sala de aula?”.

E o mau comportamento, muitas vezes, leva a defasagem de aprendizado dos alunos, outro ponto latente da pesquisa da Fundação Lemann divulgada nesta segunda-feira com exclusividade pela Jovem Pan. Quase 8 em cada 10 professores sentem dificuldade de ensinar quando a classe tem estudantes com níveis muito diferentes. Basta imaginar uma aula de matemática, quando o mestre precisa ensinar a regra de 3 e parte da classe não sabe nem fazer uma conta simples de multiplicação. A professora Ana explica o dilema: “Se nós retomamos, começamos do 7º, 8º ano onde ele esta defasado, nós desmotivamos aqueles que estão no grau certo ou mais avançado”.

Ainda segundo o levantamento, os professores veem uma luz no fim do túnel justamente no fortalecimento do educador para lidar com questões como essa. A maioria fez cursos de formação no ano passado e muitos pagaram do próprio bolso, ressalta Denis Mizne. O problema é que sem incentivos, o educador desanima: “Essa é uma notícia que deveria nos dar esperança, ao mesmo tempo em que mostra que uma reforma para os professores é urgente”. Entre os incentivos mais citados no estudo, está aumentar o piso salarial do professor.

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