‘Vou continuar militando na política’, diz Paulo Hartung após desfiliação do MDB

  • Por Nicole Fusco
  • 08/11/2018 16h29
Estadão ConteúdoO governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, anunciou a sua desfiliação do MDB nesta quarta-feira (7), após 39 anos no partido

O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, explicou nesta quinta-feira (8) porque decidiu sair do MDB após 39 anos no partido. Antes das eleições, ele já havia anunciado que se desfiliaria ao declarar que não disputaria mais nenhum mandato. A decisão foi oficializada nesta quarta (7).

“Quando eu anunciei a não candidatura a reeleição, anunciei também que não disputaria mais eleições parlamentares ou para o Executivo. Por isso, não faz sentido manter filiação partidária quando a decisão política já está tomada”, disse Hartung após participar de um evento do Insper.

“Já vivi um ciclo de eleições muito grande: Disputei eleições oito vezes, fui eleito em todas elas. Acho que a minha contribuição em mandatos eletivos está concluída”, afirmou.

O governador do Espírito Santo oficializa sua desfiliação do MDB após 39 anos no partido

O governador do Espírito Santo oficializou a sua desfiliação do MDB nesta quarta-feira (7) (Leonardo Duarte/Secom)

Segundo Hartung, ele continuará “militando na política”, mas na iniciativa privada. “Estou indo trabalhar na área privada, mas vou continuar militando na política. A política como ferramenta transformadora, civilizatória. Vou continuar fazendo artigos, palestras, debates, dando contribuições para que a gente possa caminhar na direção de reformar o país, para que o potencial do Brasil vire oportunidades para o nosso povo”, concluiu o governador.

Hartung disse ainda que está terminando seu mandato à frente do Espírito Santo “com chave de ouro” e que “diferente da desorganização do Brasil”, o estado “tem as contas em dia e conseguiu produzir resultado nas suas políticas sociais.”

Reforma da Previdência

Convidado pelo Insper para falar sobre a reforma da Previdência que promoveu no Espírito Santo, Paulo Hartung afirmou que o governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), tem capital político suficiente para aprovar uma reforma como essa, mas o criticou por não ter uma proposta definida. “Se tem uma coisa que aprendi no Congresso é que precisa saber o que se quer dele. Se não, vira desorganização”, disse Hartung, que já foi parlamentar.

“É importante que o novo governo defina o modelo de reforma previdenciário que quer fazer. Tenho certeza que, assim que definir, começa a andar o diálogo com a sociedade, de um lado, e com deputados e senadores, de outro”, disse. Caso contrário, o novo presidente enfrentará uma “desconexão” nas Casas legislativas. “Você tem um Congresso velho, com uma proposta em tramitação no término do mandato e com metade dele não reeleito.”

De acordo com Hartung, o governo precisa ser transparente com a sociedade, olhar “no branco dos olhos da população”, para discutir a reforma da Previdência — debate que, em sua opinião, foi “ralo” durante o período eleitoral. “O Brasil é igual a uma família: Se não reorganizar as contas, vamos continuar com essa recessão econômica, ou com inflação ou com crescimento medíocre”, finalizou.