Alexandre Borges: A patrulha ideológica pode matar as redes sociais

  • Por Alexandre Borges/Jovem Pan
  • 12/04/2019 09h02 - Atualizado em 14/05/2019 13h44
PixabayÉ preciso que o seu direito de expressão seja garantido e para qualquer abuso que a justiça seja acionada nos critérios definidos pela Constituição

Você já imaginou se as empresas de telefonia celular anunciassem, em conjunto, que contrataram milhares de funcionários para ouvir as ligações dos seus clientes e avaliar se o conteúdo da conversa é apropriado ou não?

As empresas de celular ainda não fizeram ou pretendem fazer isso, mas as gigantes das redes sociais não têm o mesmo tipo de limite. Elas não apenas criaram as principais plataformas de comunicação do mundo atual, que conectam bilhões de pessoas, mas cada vez mais pretendem, com critérios muitas vezes obscuros e polêmicos, regular o que pode ser ou não publicado e até se você pode ou não usar estas redes. Parece polícia de pensamento e é.

Ao mesmo tempo, estas empresas cada vez mais escolhem o conteúdo que exibem usando critérios políticos, como mostraram alguns escândalos recentes envolvendo o Google e o próprio Facebook. Esta semana, a Bloomberg revelou também que a Amazon ouve as conversas pessoais da casa dos seus clientes que usam o Alexa, o aparelho doméstico que pode ser acionado pela voz.

Na última quarta, o Facebook convocou uma coletiva de imprensa em Menlo Park, no coração do Vale do Silício americano, para dizer que está aumentando ainda mais seus esforços para patrulhar conteúdos que espalham “desinformação”, uma definição cada vez mais subjetiva e polêmica. Você pode e deve ficar preocupado.

No final de dezembro do ano passado, o deputado federal Paulo Eduardo Martins, do PSC do Paraná, teve seu perfil banido definitivamente, sem qualquer explicação além “motivos de segurança”. Não há possibilidade real de defesa, não há corte de apelação, apenas a decisão de um funcionário sem rosto, sem nome, numa empresa que protege seu anonimato e opera por trás de um muro virtual. Qual é o risco à segurança mundial representado pelo deputado Paulo Eduardo Martins a ponto de uma medida tão drástica ser tomada? Provavelmente nunca saberemos.

Algumas propostas para coibir esses abusos começam a surgir, como o direito à portabilidade dos seus dados de uma rede social para outra, o que já acontece com seu número de celular, e a caracterização destas empresas como de utilidade pública. Podem ser avanços, mas é só o início.

É preciso que o seu direito de expressão seja garantido e para qualquer abuso que a justiça seja acionada nos critérios definidos pela Constituição e não por uma meia dúzia de justiceiros sociais sem rosto.