Com PR longe de Bolsonaro, grandes partidos comemoram

  • Por Carlos Andreazza/Jovem Pan
  • 18/07/2018 08h22
Renato Araújo/ABrO deputado volta à posição que o trouxe até aqui, a de depender quase que exclusivamente da mobilização das redes sociais

O PR daria 45 segundos de TV a Jair Bolsonaro. É muita coisa. Daria também, contudo, o mensaleiro Waldemar da Costa Neto como vidraça. Ainda assim, pensando no mundo real em que se disputa eleição, acho que valeria. Com o PR, Bolsonaro teria a chance de se colocar numa posição rara: a de continuar percebido como outsider, desafiante do establishment, ao mesmo tempo em que incorporaria para si ferramentas desse mesmo establishment, do que chamam de velha política. O já mencionado tempo de TV, saltando de 8 segundos para quase um minuto, além de alguma respeitável capilaridade partidária. Seria um salto competitivo capaz de lhe dar musculatura para o que virá adiante. E ele só precisaria encaixar o discurso – algo em que tem sido mestre – para entubar o Waldemar em seu eleitor, para convencer seus eleitores de que algum sacrifício estratégico se impõe se o objetivo é vencer.

A coisa, porém, não prosperou, e é agora improvável que Bolsonaro e PR se acertem. PT, PSDB, MDB e os demais grandes partidos respiram aliviados. O deputado volta à posição que o trouxe até aqui, a de depender quase que exclusivamente da mobilização das redes sociais. Não será fácil, porque a máquina das estruturas partidárias se voltará contra ele, mas Bolsonaro terá um telhado de vidro a menos para defender. Sem o senador Magno Malta, fala-se no general da reserva Augusto Heleno, filiado ao PRP, para vice. Um homem honrado, com bons serviços prestados ao país, e que talvez tenha mais a somar ao projeto eleitoral bolsonarista do que Malta, ambos, de toda forma, muito semelhantes a Bolsonaro, o que equivale a dizer que com poucos votos a acrescer à base do deputado.