Defesa de Lula, como ele próprio, é muito mais profissional na informalidade

  • Por Felipe Moura Brasil/Jovem Pan
  • 21/02/2018 09h47
ReproduçãoE só mesmo um superior ou supremo golpe pode livrar o condenado da prisão

Como previsto, o Senado aprovou pouco antes da meia-noite o decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro, com 55 votos a favor, 13 contra e uma abstenção.

O debate nacional sobre o tema acabou deixando em segundo plano as últimas movimentações formais e informais da defesa de Lula.

Seu advogado Cristiano Zanin Martins protocolou os embargos de declaração no TRF-4, o tribunal que condenou o petista a 12 anos e 1 mês de prisão, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá.

Como a decisão foi unânime por 3 a 0, o recurso não permite reverter a sentença, podendo a defesa apenas elencar dúvidas e pedir esclarecimentos a seu respeito.

Os embargos serão julgados pelos mesmo desembargadores que condenaram Lula: João Pedro Gebran Neto, Leandro Paulsen e Victor Laus.

Não há prazo, mas eles costumam ser rápidos. Neste momento, Paulsen e Laus estão de férias, de modo que a tendência é que o caso seja pautado no fim de março, quando a composição original da turma estará novamente completa.

Após a apreciação do recurso, Lula poderá finalmente ser preso.

Enquanto isso, o condenado posa de vítima de conspiração, vazando à Folha que, “se fosse eles, também mandaria prender”, porque “é o único jeito de ganharem a eleição”.

Lula afeta tranquilidade, embora ou talvez porque esteja investindo pesado nos chamados embargos auriculares no STF e no STJ – aquela conversinha no pé do ouvido dos ministros.

Foi depois de se reunir com Gilberto Carvalho, citado em dezenas de e-mails da Odebrecht com o codinome “Seminarista”, que Edson Fachin aceitou encaminhar o habeas corpus de Lula para o plenário do Supremo, onde tudo pode acontecer.

Agora, Gilberto Carvalho está fazendo o mesmo trabalho junto aos ministros do STJ, na tentativa de obter a suspensão da inelegibilidade de Lula.

O pedido consta do HC impetrado na Corte em 30 de janeiro, e não foi repetido na peça entregue ao STF poucos dias depois.

Pelo visto, Lula quer usar o STJ para rasurar a Lei da Ficha Limpa e o STF para rasgar a jurisprudência sobre a execução provisória da pena.

Sepúlveda Pertence, o mais novo integrante da defesa do petista, já marcou encontro com diversos ministros do Supremo, intensificando a movimentação pelo tribunal onde atuou durante anos.

A defesa de Lula, como ele próprio, é muito mais profissional na informalidade.

E só mesmo um superior ou supremo golpe pode livrar o condenado da prisão.