Felipe Moura Brasil: Coafgate petista, enfim, ganha espacinho na imprensa

  • Por Felipe Moura Brasil/Jovem Pan
  • 30/01/2019 07h30
AlerjCabe ao Ministério Público dizer agora se Ceciliano usava Elisângela como laranja para obter dinheiro

Depois de 50 dias de cobertura restrita ao caso de Flávio Bolsonaro, uma parte da imprensa finalmente deu alguma atenção ao do deputado que lidera a lista do Coaf em volume de dinheiro movimentado de modo atípico por seus assessores: o petista André Ceciliano, atual presidente em exercício da Assembleia Legislativa do Rio.

As contas ligadas à sua assessora Elisângela Barbieri movimentaram 44,8 milhões de reais entre janeiro de 2011 e maio de 2017, por meio de uma agência do Itaú em Paracambi, cidade da Baixada Fluminense da qual Ceciliano já foi prefeito duas vezes.

Elisângela, porém, recebe atualmente 5 mil reais de salário, em valores líquidos.

De acordo com O Globo, o volume de saques em espécie dela e de seu marido, Carlos Alberto Dolavale, ex-assessor de Ceciliano, também alertou o Coaf: 1,4 milhão de reais em 185 operações – uma média de 7,6 mil reais por saque.

Além disso, as três contas ligadas a Elisângela receberam 448 mil reais em depósitos de uma empresa do deputado federal eleito Gelson Azevedo, aliado político de Ceciliano e agora ex-prefeito de São João de Meriti na chapa do titular Doutor João. Neste vídeo que eu separei, Ceciliano saúda Gelson como seu amigo.

De uma empresa de Gelson, Elisângela recebeu 54 mil reais, seu marido 103 mil reais e o pai dela, 241 mil reais – sendo que o pai, Benjamin Barbieri, é um aposentado que tem renda declarada de 5 mil. Detalhe: desses valores, 275 mil reais entraram nas contas ligadas à assessora em 2016, quando Ceciliano estava em campanha para prefeito de Japeri, antes de ser derrotado pela terceira vez.

Naquele ano, as doações de empresas a candidatos já estavam proibidas por lei, mas ontem, claro, Ceciliano disse que não sabe o motivo das transferências e negou que tenham sido uma maneira de financiar sua campanha.

Por enquanto, não é lá uma alegação convincente, ainda mais em se tratando de um petista que teve como cabos eleitorais em 2012 os atuais presidiários Sérgio Cabral, condenado a 198 anos de prisão, Lula, condenado a 12 anos e 1 mês, e Luiz Fernando Pezão. Lindbergh Farias, condenado por improbidade administrativa, também pediu votos para Ceciliano. Eu selecionei em vídeo os momentos memoráveis desses apoios; confira abaixo.

Pois é, Lindinho, Lula devia estar mesmo precisando de um triplex. Cabe ao Ministério Público dizer agora se Ceciliano usava Elisângela como laranja para obter dinheiro.