Felipe Moura Brasil: De Lula a Cabral, o mensalão fez escola

  • Por Felipe Moura Brasil/Jovem Pan
  • 09/11/2018 10h19
LG Soares / AlerjOs mensalinhos variavam de R$ 20 mil a R$ 900 mil, sem contar prêmios de R$ 1 milhão a R$ 3 milhões

O atual presidiário Lula, maior beneficiário político do mensalão petista no Congresso Nacional, era cabo eleitoral do atual presidiário Sérgio Cabral, maior beneficiário político do mensalinho na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, a Alerj.

Entre outras pérolas, Lula dizia que – aspas: “Votar no Sérgio Cabral é quase que uma obrigação moral… porque esse homem já provou que é um homem de bem… e que tem a competência pra fazer as coisas que outros não fizeram.” Fecho aspas.

Mas o mensalinho apenas reproduziu na esfera estadual o mensalão federal.

Em junho de 2005, Roberto Jefferson contou que o tesoureiro do PT Delúbio Soares pagava uma mensalidade de 30 mil reais a deputados federais para que eles votassem segundo a orientação do bloco governista.

O operador do mensalão era o empresário Marcos Valério, cujas agências de publicidade tinham contratos com órgãos públicos.

O dinheiro do esquema criminoso, portanto, vinha de outros esquemas criminosos cometidos dentro do Estado brasileiro.

Ontem, a Operação Furna da Onça revelou que um total de 54,5 milhões de reais foi pago em propinas mensais a deputados do Rio desde o segundo mandato de Cabral, em 2011, em troca de votos para a aprovação de projetos do governo estadual.

O operador dos mensalinhos, que, apesar do diminutivo, variavam de 20 mil a 900 mil reais, sem contar eventuais prêmios de 1 milhão a 3 milhões de reais, era Carlos Miranda, comparsa do ex-governador.

Parte do dinheiro foi obtida por meio do sobrepreço de contratos públicos e entregue até mesmo na Alerj aos políticos, que também faziam loteamento de cargos no Detran.

O dinheiro do esquema criminoso, portanto, vinha de outros esquemas criminosos cometidos dentro do Estado do Rio.

Embora os emedebistas Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, presos desde novembro do ano passado, tenham sido alvos de novos mandados de prisão, o caso mais exótico é o do deputado Chiquinho da Mangueira, presidente da escola de samba Estação Primeira de Mangueira.

Chiquinho recebeu mais de 3 milhões de reais no total, sendo que no período de pré-carnaval e carnaval de 2014, houve pagamentos concentrados, maiores que os valores rotineiramente pagos a título de mensalão, como disse uma das investigadoras, já tratando o mensalinho no aumentativo.

Carlos Miranda havia afirmado que esse dinheiro possivelmente seria destinado ao carnaval da Mangueira, que, no entanto, acabou em oitavo lugar naquele ano.

O meu Rio é mesmo uma festa. É por isso que sugiro à Mangueira o enredo “Do mensalão ao mensalinho: mestre Lula e seu discípulo Cabral na escola da propina”.

Boto fé no primeiro lugar.