Felipe Moura Brasil: Favoritismo de Renan, Maia e Ceciliano é triplo vexame

  • Por Felipe Moura Brasil/Jovem Pan
  • 01/02/2019 07h10
Wilson Dias/Agência BrasilComo dizia Tom Jobim: “O Brasil não é para principiantes"

A julgar pelos favoritismos de Renan Calheiros na disputa desta sexta-feira (1º) pela presidência do Senado, de Rodrigo Maia, na da Câmara, e do petista André Ceciliano, na da Alerj, os profissionais da velha política, até o momento, vão dando um baile nos novatos.

Como dizia Tom Jobim: “O Brasil não é para principiantes.”

Para ser candidato, Renan, alvo de 14 inquéritos no STF, venceu ontem a disputa interna no MDB contra Simone Tebet por 7 votos a 5. O que diz muito sobre o MDB, claro.

Dos 7 de Renan, três vieram de ex-ministros de Dilma Rousseff: Eduardo Braga, Marcelo Castro e Fernando Bezerra.

Outro de Eduardo Gomes, que Renan trouxe do partido Solidariedade só para votar nele.

Outro de Jader Barbalho, velho parceiro de Renan como alvo de inquéritos da Lava Jato, como aquele que apura se Renan, Jader e Delcídio do Amaral receberam 5 milhões de dólares para manter Nestor Cerveró na Diretoria Internacional da Petrobras e outro que apura se Renan, Jader e Aníbal Gomes receberam propina em esquema da estatal.

Outro voto em Renan veio de José Maranhão, cacique de 85 anos e parceiro de longa data que deve presidir a sessão de votação, de modo que já existiria um acordo entre os dois para que Maranhão faça avançar a votação secreta que favorece Renan, bem como a antiga interpretação do artigo 60 do regimento interno, que prevê necessidade apenas dos votos da maioria simples dos presentes para eleger o presidente do Senado. A estratégia seria ainda nem dar espaço a questões de ordem feitas pelos senadores de oposição. Ou seja: “tratorar”.

E o sétimo voto em Renan no MDB foi o do próprio Renan, claro, aquele que ontem mesmo publicou no Twitter que “nunca cogitou” e “não postulou” ser presidente do Senado.

Detalhe: o resultado da votação saiu logo depois da divulgação dos áudios de conversas de Renan com Joesley Batista e o ex-executivo da JBS Ricardo Saud, interceptadas pela PF, nas quais Renan, então presidente do Senado, festejava com eles a eleição de Dilma em 2014 e depois discutia uma nomeação para o Ministério da Agricultura, pasta de alto interesse para os negócios da gigante das carnes. Renan diz no áudio que está construindo esse cenário com ela, em aparente referência a Dilma.

Mas é claro que negócios de Renan com a JBS não surpreenderam muito menos demoveram os sete anões morais do MDB que votaram nele. Assim como o codinome Botafogo de Rodrigo Maia em planilha de propina da Odebrecht não demove deputados federais. Assim como os 49 milhões e 300 mil reais movimentados por quatro funcionários do gabinete de André Ceciliano, segundo o Coaf, não demove deputados estaduais.

Embora a maioria dos brasileiros tenha mostrado nas urnas que queria mudança, as raposas da velha política seguem seu baile para sobreviver. E você? O que tem feito para evitar isso? Não vai nem protestar hoje nas redes sociais?