Felipe Moura Brasil: Haddad favorece Bolsonaro

  • Por Felipe Moura Brasil/Jovem Pan
  • 11/02/2019 07h48
EFEDemonizando Bolsonaro, o petista continua sendo o adversário que o presidente pediu a Deus

A demonização dilui e enfraquece as críticas e suspeitas legítimas.

Foi o que eu disse em 2016, quando os adversários de Donald Trump na imprensa e no Partido Democrata preferiam pintá-lo como fascista, nazista e Hitler em vez de se ater aos fatos.

Foi o que eu repeti em 2018, quando os adversários de Jair Bolsonaro na imprensa, no PT e em outros setores da esquerda preferiam pintá-lo como fascista, nazista e Hitler em vez de se ater aos fatos.

Como ficou claro na comemoração – acredite – do aniversário de 39 anos do PT, no sábado, Fernando Haddad, derrotado em segundo turno pelo atual presidente, ainda não aprendeu a lição.

Diante das investigações sobre Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor na Alerj Fabrício Queiroz e das suspeitas levantadas pela Folha sobre o uso de candidatas laranjas pelo PSL em Minas Gerais e, como o jornal noticiaria no domingo, em Pernambuco, Haddad afirmou que a família Bolsonaro está “mais enrolada” do que o PT: “Colocaram uma família no poder que está mais enrolada em 30 dias que esse partido em 39 anos. Não conseguem explicar nada e vão surgindo escândalos. Vão fugindo dos debates, fazendo o que fizeram na campanha. Eles fogem porque não têm o que explicar”.

Na semana passada, Lula foi condenado a 12 anos e 11 meses de prisão no caso do sítio de Atibaia e agora acumula uma pena de 25 anos. Seus advogados não conseguiram perante a Justiça desqualificar as provas de que o ex-presidente recebeu de empreiteiras do petrolão um tríplex no Guarujá e reformas, também usufruídas por ele no sítio do laranja Fernando Bittar. Nem seria preciso contar o mensalão e o restante dos condenados no petrolão, como os petistas José Dirceu e João Vaccari Neto, muito menos a delação de Antonio Palocci, para notar que o rolo do PT é muito maior que o de Bolsonaro.

Mas Haddad não consegue fugir à natureza petista da mentira hiperbólica. Demonizando Bolsonaro, ele continua sendo o adversário que o presidente pediu a Deus.