Felipe Moura Brasil: Venezuela livre, Lula preso

  • Por Felipe Moura Brasil/Jovem Pan
  • 24/01/2019 09h22
EFENunca é tarde para reconhecer o óbvio, ainda que sobre um país vizinho

O povo da Venezuela vive em condições tão ruins, ou morre, em consequência da ditadura de Nicolás Maduro que até FHC publicou uma nota a favor de Juan Guaidó, o presidente da Assembleia Nacional que se declarou nesta quarta-feira (23) presidente interino do país.

O tucano, que se recusou a pedir o impeachment de Lula em 2005 no Brasil, quando estourou o escândalo do mensalão petista, e descartou voto em Jair Bolsonaro para impedir a volta do PT ao poder no segundo turno de 2018, escreveu nas redes sociais: “Embora acredite que situações políticas devam ser do país, não há como calar: é preciso devolver ao povo a liberdade e a democracia, que lhe foram usurpadas. Todo poder à Assembleia Nacional para convocar eleições sem fraude. Basta!”

Nunca é tarde para reconhecer o óbvio, ainda que sobre um país vizinho.

Já Gleisi Hoffmann, denunciada pela PGR por propinas da Odebrecht para sua campanha ao governo do Paraná em 2014, não saiu em defesa de eleições sem fraude.

A presidente do PT, que boicotou a posse de Jair Bolsonaro por considerar sua eleição “ilegítima”, mas foi ao país vizinho prestigiar a do ditador Maduro, escreveu no Twitter: “Começamos hoje na América Latina a caminhada dos conflitos que tanto repudiamos em outros continentes. Líbia, Iraque, Síria são lembranças atuais das decisões arrogantes dos Estados Unidos e seus parceiros políticos. O Brasil só tem a perder com esta intervenção na Venezuela.”

Quando Gleisi defendeu que Lula pudesse dar entrevistas, ela argumentou que a “Justiça brasileira permite entrevistas com Fernandinho Beira-mar e Marcinho VP”, ou seja: colocou o petista corrupto e lavador de dinheiro no mesmo saco de dois dos maiores traficantes da história do Brasil. Agora, comparando os casos da Venezuela aos de Líbia, Iraque e Síria, coloca Maduro no mesmo saco dos ditadores Muammar Kadafi, Saddam Hussein e Bashar Al-Assad. Gleisi é uma advogada de defesa e tanto.

Ela ainda perguntou a um repórter do SBT: “O que dá direito ao presidente de outro país desconhecer o presidente eleito do país e dizer que o líder da oposição passa a ser o presidente? O que que dá esse direito?”

A resposta, que qualquer venezuelano faminto poderia dar a Gleisi, é que o Juan Guaidó foi legitimamente eleito, enquanto Maduro assumiu o poder por meio de um pleito fraudulento, sem opositores, nem observadores internacionais independentes.

Quando a oposição obteve a maioria parlamentar, o ditador retirou o poder do Parlamento comandado por Guaidó para transferi-lo a uma “Assembleia Constituinte” composta apenas por seus aliados – e isto após uma suposta eleição marcada pela denúncia de manipulação, feita pela própria empresa responsável pelo sistema eleitoral.

Mas se Gleisi reconhecesse o óbvio, não seria presidente do PT.