Petistas só defendem a liberdade das mulheres de pensar como eles próprios

  • Por Felipe Moura Brasil/Jovem Pan
  • 12/07/2018 07h50
Agência CâmaraCarolina Lebbos, Laurita Vaz, Raquel Dodge e Cármen Lúcia, felizmente, não têm dado a mínima para o esperneio dos petistas

Os petistas sempre posaram de defensores dos direitos das mulheres, da independência das mulheres, da liberdade das mulheres, da presença de mulheres em cargos dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

Agora, no entanto, acusam mulheres de perseguirem Lula.

A juíza Carolina Lebbos negou pedidos para que o presidiário condenado em segunda instância participe de entrevistas e sabatinas como presidenciável.

Ela alegou que a situação de Lula se identifica com o status de inelegível e a autorização nem “sequer se mostra juridicamente razoável”, “em exceção às regras de cumprimento da pena e com necessário incremento de recursos logísticos e de segurança”.

A juíza ainda deu uma bela alfinetada nos parlamentares que insistem em pedir para “vistoriar” as condições em que Lula está preso na PF de Curitiba.

Carolina citou a superlotação de presídios no país e constatou que não há diligências seguidamente realizadas por comissões do Congresso nesses estabelecimentos. Ou seja: o único preso que preocupa esses parlamentares é Lula.

Em reação à decisão da juíza, Glesi Hoffmann perguntou: “Se isto não é perseguição, é o quê?”. Lindbergh Farias acrescentou: “Quem essa cidadã pensa que é?” Eu respondo, Gleisi e Lindinho: é uma mulher aplicando as leis do país.

Já a ministra Laurita Vaz, presidente do STJ, negou 143 habeas corpus pedidos em favor de Lula e criticou as petições padronizadas que sobrecarregam a rotina de trabalho de vários servidores, já suficientemente pesada.

Laurita escreveu que “o Poder Judiciário não pode ser utilizado como balcão de reivindicações ou manifestações de natureza política ou ideológico-partidárias”.

Resultado: o PT acusou Laurita de ter concedido prisão domiciliar a Roger Abdelmassih, o médico condenado a 181 anos de prisão por 48 estupros de 37 pacientes.

Na verdade, Laurita só apontou um erro no recurso apresentado pelo Ministério Público. Quem de fato mandou o estuprador para casa, algumas semanas mais tarde, em 2017, foi o ministro Ricardo Lewandowski, indicado por Lula ao STF, sem falar em Gilmar Mendes, que já havia concedido HC ao condenado em 2009.

Mas não para por aí.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enviou ontem ao STJ pedido de abertura de inquérito judicial contra o desembargador do TRF-4 Rogério Favreto pelo crime de prevaricação ao agir fora de sua jurisdição e sem competência para tentar “colocar Lula a todo custo em liberdade, impulsionando sua candidatura”. Como escreveu Raquel, Favreto “não favoreceu um desconhecido, mas alguém com quem manteve longo histórico de serviço e de confiança”.

Gleisi perguntou: “Por que a PGR toma partido assim?”

Eu respondo de novo: só se for o partido da Justiça.

Tudo isto sem falar nos sucessivos ataques do PT a Cármen Lúcia por não pautar a rediscussão da prisão em segunda instância, já autorizada pelo STF em 2016.

Carolina Lebbos, Laurita Vaz, Raquel Dodge e Cármen Lúcia, felizmente, não têm dado a mínima para o esperneio dos petistas que, na verdade, só defendem a liberdade das mulheres de pensar como eles próprios.