Joseval Peixoto: Delação da JBS demonstrou que não havia mais líderes na nação

  • Por Jovem Pan
  • 03/12/2018 10h24
Joédson Alves/EFEA delação premiada nunca havia sido acolhida no Brasil, porque sempre se julgou imoral que a Justiça negociasse com criminosos

A Folha de S. Paulo publicou em primeira página que delatores da JBS ficaram R$ 2,5 bilhões mais ricos, depois que as gravações de Joesley Batista com o presidente Michel Temer foram publicadas.

A delação premiada nunca havia sido acolhida no Brasil, porque sempre se julgou imoral que a Justiça negociasse com criminosos.

A primeira benesse concedida pelo direito positivo brasileiro aos criminosos surgiu em julho de 1990, com a edição da lei nº 8.072, que definiu o latrocínio, o homicídio qualificado, o estupro, a extorsão mediante sequestro e alguns outros como crimes hediondos.

O parágrafo único de seu artigo oitavo preceituou que o participante ou associado que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha, possibilitando seu desmantelamento, terá a pena reduzida de um a dois terços.

A delação, todavia, só foi inteiramente regulamentada em 2013, com a lei 12.850, que alargou a redução da pena privativa de liberdade, a ponto de substituí-la pela pena restritiva de direitos. Foi depois dessa lei que o Brasil tomou conhecimento da extensão da roubalheira que se instalou na república.

Ainda na última quinta feira foi preso o primeiro governador do Rio no exercício do cargo, Luiz Fernando Pezão.

Além dele, já estava preso Sérgio Cabral e já se encontram recolhidos dez deputados estaduais, cinco conselheiros do Tribunal de Contas e até um ex-procurador-geral.

Certamente é isso que explica a vitória do juiz Wilson Witzel, um desconhecido que navegou no discurso do presidente Bolsonaro, chegando a afirmar que autorizaria a eliminação de quem estivesse no morro portando um fuzil.

Ou seja, o Rio elegeu um xerife. A delação premiada demonstrou que não há mais líderes na nação.

O que havia era um bando de ladrões que assaltavam a república.