Joseval Peixoto: Dom Pedro II não foi um homem feliz, mas homenagem o coloca como herói

  • Por Jovem Pan
  • 15/11/2018 10h25
Wikimedia CommonsNosso imperador Dom Pedro II, deposto há 119 anos, em 15 de novembro de 1889, não foi um homem feliz

Nosso imperador Dom Pedro II, deposto há 119 anos, em 15 de novembro de 1889, não foi um homem feliz. Teve uma infância solitária, abandonado por sua família, aos 5 anos de idade, em razão da abdicação de seu pai, em 1831.

Preencheu sua solidão nos estudos, transformando-se num dos maiores sábios do seu tempo, dignificado e honrado por Charles Darwim, Victor Hugo, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Graham Bell, Nietzsche, Richard Wagner e todos os luminares da época.

Falava português, latim, francês, alemão, italiano, espanhol, grego, árabe, hebraico, sânscrito, chinês e tupi-guarani.

Preparou-se a vida toda para reinar e foi amado em todo tempo pelo povo por 58 anos.

Vitorioso no plano internacional, nas guerras contra o Uruguai, no Prata e contra o Paraguai.

Herói, ante a recusa da assembleia geral e do conselho de estado em municiar o exército brasileiro na invasão paraguaia, declarou que abandonava a coroa e ia pessoalmente, como voluntário da pátria, enfrentar Solano Lopes.

Não se dobrou diante da Inglaterra, na famosa questão causada levianamente pelo embaixador inglês, que mandou ultimato ao Brasil em razão da prisão de dois oficiais ingleses embriagados no Rio de Janeiro. Mais tarde, recebeu as desculpas da Inglaterra.

Era contra a escravidão e, muito antes do ato da Princesa Isabel, em 1871, fez aprovar a Lei do Ventre Livre, que libertou todos os filhos das escravas, em nosso país.

Teve uma grande decepção no casamento com a Princesa Teresa Cristina, cuja imagem não correspondia ao retrato que lhe apresentaram, antes de autorizar a celebração por procuração em Napoles, em 1843.

Consta da história que quando a imperatriz desembarcou no RJ, em setembro, ele se voltou para Mariana de Verna, sua tutora na infância, e declarou: eles me enganaram.

Deposto por Deodoro, seu amigo, embarcou resignado para a Europa.

Morreu pobre em Paris, no dia 5 de dezembro de 1891, mas autoridades do mundo inteiro vieram pranteá-lo na capital francesa e consta que seu cortejo, até a estação de trem, foi acompanhado por mais de 300 mil pessoas.

Sepultado em Portugal, no panteão dos Braganças, seus restos mortais foram trasladados para o Brasil, em 1921, a tempo para a comemoração do centenário da independência. Foi recebido de volta como herói nacional.

O historiador Pedro Calmon descreveu a cena de seu retorno, celebrado no Rio por milhares de pessoas: Os velhos choravam. Muito se ajoelhavam. Todos batiam palmas. Não se distinguiam mais republicanos e monárquicos. Eram brasileiros. Esta homenagem marcou a reconciliação do Brasil republicano com seu passado monárquico.