Extinguir o Tribunal de Contas é moralizar a coisa pública

  • Por Jovem Pan
  • 10/03/2018 12h42
Divulgação/TCM-SPVista da fachada do Tribunal de Contas do Município de São Paulo

Marco Antonio Villa comentou no Jornal da Manhã deste sábado (10) a saída da prisão dos donos da JBS, Joesley e Wesley Batista.

Villa diz que em sua opinião, “Joesley deveria ficar preso ad eternum, mas há o devido processo legal”.

“Eles já estavam presos há um tempo muito maior que o previsto pela lei para evitar que eles destruam provas”, ressaltou.

Para Villa, “o problema está no outro lado do balcão, com as investigações muito lentas sobre os crimes apontados pela JBS”.

TCM

O comentarista também comentou a movimentação política pela extinção do Tribunal de Contas do Município de São Paulo.

Temos de ser críticos em relação às estruturas do País”, disse. “Para que é necessário um tribunal no município com mais de 675 funcionários comissionados, sendo que os conselheiros recebem R$ 33 mil fora o auxílio-moradia de alguns?”, questionou.

Com orçamento anual de R$ 238 milhões, o gasto durante um mandato de 4 anos de prefeito chega a quase de R$ 1 bilhão que poderia ser investido em outras áreas.

“A extinção do Tribunal de Contas significa a moralização da coisa pública”, disse o comentarista. Os auditores “que de fato trabalham” poderiam ser incorporados em um anexo à Câmara de Vereadores, enquanto os comissionados seriam demitidos, sugere.

“Estão embutindo na discussão que isso seria uma armação da Prefeitura de São Paulo para enfraquecer o Tribunal de Contas, que tem muito cuidado com o dinheiro público”. Para Villa, no entanto, esse argumento é uma “mentira”.

isso é plantação de vereador que sonham conselheiro”, tendo um emprego estável, salário bom e poder de nomeação.

O historiador lembra que o Tribunal de Contas é uma criação feita pelo regime militar no apagar das luzes do prefeito Faria Lima.

Além disso, “enfiaram na Constituição um artigo referente ao tribunal de contas”.

“Tem que extinguir”, pede Villa. “Esse é o primeiro passo para não ter tribunal de contas do Estado e, no futuro, extinguir o TCU”, projeta.

Menino de 19 anos

Sobre o caso do jovem de 19 anos que tinha grande responsabilidade no ministério da Fazenda, administrando contratos com pagamentos de R$ 473 milhões, Villa destacou a importância da imprensa livre, que revelou o caso.

“Por isso que os poderosos têm ódio da imprensa livre. Querem que sejamos carneirinhos e digamos ‘sim, senhor'”.

“Como é possível um moleque de 19 anos ter uma função tão importante e movimentar tamanha quantia de dinheiro”, questiona.

Ouça o comentário completo de Villa: