Constantino: Ao noticiar caso da Odebrecht, nossos jornalistas estão presos numa bolha cognitiva

  • Por Rodrigo Constantino/Jovem Pan
  • 19/06/2019 06h30
EFE/Germán FalcónA empreiteira pediu recuperação judicial após divida maior do que R$ 83 bilhões

Nossos jornalistas são pessoas muito estranhas, que vivem em uma realidade paralela, presos numa bolha cognitiva. Vejam que tivemos uma notícia bastante chamativa: o pedido de recuperação judicial da Odebrecht, o maior da história, com dívidas estimadas em quase R$ 100 bilhões.

De acordo com a Odebrecht, tanto as empresas operacionais como as auxiliares e a própria ODB continuam mantendo normalmente suas atividades. Conforme a empresa, o Grupo Odebrecht chegou a ter mais de 180 mil empregados cinco anos atrás. Hoje, tem 48 mil postos de trabalho como “consequência da crise econômica que frustrou muitos dos planos de investimentos feitos pela ODB, do impacto reputacional pelos erros cometidos e da dificuldade pela qual empresas que colaboram com a Justiça passam para voltar a receber novos créditos e a ter seus serviços contratados”.

Ou seja, até a empresa admite que os problemas se devem, em parte, aos “erros cometidos”. Por erros cometidos podemos entender ter participado ativamente do maior esquema de corrupção da histórica deste país, tendo sido cúmplice da quadrilha petista que tomou o estado brasileiro de assalto e, com seu projeto totalitário, quase nos levou rumo ao abismo venezuelano. Também devemos acrescentar a esses “erros” o fato de ter estendido o esquema a outros países “companheiros”, ditaduras comunistas da América Latina e da África. Erros!

Mas, diante desses “erros”, o que alguns jornalistas dizem? “A Lava Jato torra a riqueza e os empregos”, dizia chamada de Reinaldo Azevedo. “Lava Jato: Odebrecht perdeu 230 mil funcionários depois da operação”, lia-se na manchete de Monica Bergamo, da Folha. Já podemos até imaginar o destaque no jornal: Traficantes perdem milhões com operação da polícia. Sequestradores enfrentam dificuldade financeira após resgate bem-sucedido de reféns.

É a isso que se reduziu parte do nosso “jornalismo”? Em sua campanha desesperada para atacar a Lava Jato e Sergio Moro e defender seus “bandidos preferidos”, dão a entender que a culpa da perda desses empregos é da polícia, e não dos criminosos disfarçados de empresários? Que vergonha!