Constantino: Mais Guedes, menos Olavo

  • Por Rodrigo Constantino/Jovem Pan
  • 23/05/2019 09h42
Ernesto Rodrigues/Estadão ConteúdoAinda bem que tem gente adulta que está focada nos resultados, não nas curtidas da militância nas redes sociais

Paulo Guedes, em seminário no Correio Braziliense, disse que “Rodrigo Maia tem sido extraordinário” no apoio à reforma da Previdência. “Estou absolutamente confiante na aprovação. É um grupo maduro de políticos”.

Guedes acrescentou que Maia “assumiu o protagonismo” na necessidade de aprovação das reformas.

E agora, José? Se você está ao lado do poderoso ministro Paulo Guedes, da ala liberal do governo, você está contra ou a favor do governo em si ou do presidente Bolsonaro? Será que Guedes é, ele próprio, um traidor do governo? Ou será que ele é realista, pragmático e tem noção de qual a prioridade certa do governo?

Para aprovar reformas, especialmente emendas constitucionais, é necessário ter amplo apoio do Congresso.

Bolsonaristas radicais partem de duas premissas, ambas equivocadas:

1) articulação política é sinônimo sempre de malas de dinheiro, ou seja, corrupção;

2) pressão constante nas ruas resolve o problema.

Partindo das duas premissas erradas, essa ala tem tratado com desprezo quem quer o melhor para o Brasil por caminhos diferentes. Mas o time dos “traidores” só faz aumentar, inclusive com muita gente boa, que há anos luta contra o petismo. E o maior aliado desse time é o próprio ministro Paulo Guedes, que nunca foi jacobino revolucionário, que entende a importância das vias democráticas para conseguir resultados.

Demonizar o presidente da Câmara quando se precisa aprovar reformas no Congresso e quando ele mesmo se mostra um defensor do básico dessas reformas é um tiro no pé, uma estratégia maluca e suicida, que pode manter uma sensação de superioridade moral nos “puristas”, mas que em nada ajuda de fato na aprovação das reformas.

Seria como detonar diariamente Eduardo Cunha no momento em que se precisava dele para o impeachment de Dilma. Ainda bem que tem gente adulta que está focada nos resultados, não nas curtidas da militância nas redes sociais. Mais Guedes, menos Olavo.