Constantino: Nosso herói não pode ser Macunaíma, tampouco Lula

  • Por Rodrigo Constantino/Jovem Pan
  • 22/06/2019 08h16
Hélvio Romero/Estadão ConteúdoO ex-presidente Lula está preso desde abril de 2018 em Curitiba

É possível medir o nível de honestidade dos países? Movidos pela intenção de desafiar o senso comum, três pesquisadores dos Estados Unidos e da Suíça apostaram em uma metodologia inovadora para detalhar índices em 40 países, incluindo o Brasil. A Suíça foi considerado o país mais honesto.

Ao longo de três anos, mais de 17 mil carteiras foram deixadas em pontos estratégicos de 355 cidades de 40 países — algumas com dinheiro e outras sem —, como se tivessem sido perdidas.

Os autores do estudo, publicado nesta quinta-feira na revista “Science”, concluíram que, quanto maior a quantia de dinheiro encontrada, maior é o índice de devolução dos objetos. O motivo? Medo de se enxergar como um ladrão. Na média global, houve devolução no caso de 40% das carteiras sem dinheiro. Esse número salta para 51% na presença de recursos.

Os cientistas atribuem o fenômeno à relação construída entre o valor monetário e a ideia de desonestidade. A aversão à ideia de se ver como um ladrão, combinada a um sentimento altruísta, favoreceria a intenção da maior parte das 17 mil pessoas envolvidas na pesquisa.

No ranking global de honestidade, o Brasil aparece em 26º lugar, atrás de países latino-americanos como Argentina (18º) e Chile (25º). Portugal está na 20º posição, à frente dos Estados Unidos (21º) e do Reino Unido (22º). Na lanterna está China, no último lugar. A Suíça lidera o ranking mundial, seguida da Noruega, Holanda, Dinamarca e Suécia. Entre os dez países mais bem colocados, só um não é europeu: a Nova Zelândia.

Na concepção dos pesquisadores, a honestidade depende de uma série de fatores, incluindo raízes culturais, PIB do país, idioma nacional, cultura familiar, entre outros critérios. Os acadêmicos veem a honestidade como um valor “central” para a vida social e econômica dos países avaliados, e sua ausência levaria à “quebra de promessas, desrespeito de contratos, evasão fiscal e governos corruptos”.

Em meu livro “Brasileiro é otário? O alto custo da nossa malandragem”, destaquei como epígrafe a famosa frase de Stanislaw Ponte Preta, personagem do humorista Sergio Porto: Restaure-se a moralidade, ou nos locupletemos todos!”. O brasileiro precisa introjetar mais os valores da decência, sentir vergonha ao tomar algo que não lhe pertence. Cultura, valores familiares e maior punição ao crime, eis a receita. Nosso herói não pode ser Macunaíma, tampouco Lula. Já Sergio Moro parece uma opção infinitamente melhor. Caminhamos na direção certa.