Rodrigo Constantino: A receita de sucesso de toda nação rica

  • Por Jovem Pan
  • 28/05/2019 17h43
Joka Madruga - Estadão ConteúdoEssa é a agenda que merece todo apoio da população e do Congresso

Segundo o editorial da Gazeta do Povo desta segunda, o governo prepara novo pacote de medidas microeconômicas: De olho no desemprego e na perspectiva de que o PIB deste ano não cresça de forma satisfatória, o governo federal trabalha em um novo pacote de medidas microeconômicas que pretendem estimular a produtividade – um dos grandes gargalos brasileiros – e o consumo, por meio da movimentação de recursos parados. Os planos desenhados dentro do Ministério da Economia devem contemplar demandas antigas do setor produtivo, como uma completa reformulação do eSocial, a ferramenta digital usada pelas empresas para comunicar o governo sobre seu quadro de funcionários, que precisa ser atualizada mensalmente e é considerada extremamente burocrática.

A campanha eleitoral foi pautada principalmente pelas grandes reformas econômicas, como a da Previdência e a tributária, mas o então candidato Jair Bolsonaro também já tinha prometido “tirar o Estado do cangote” de quem produz, e as reformas microeconômicas entraram no radar da equipe de Paulo Guedes já no período de transição. A promessa de anunciar medidas de desburocratização periodicamente, feita logo no início do mandato, não chegou a se cumprir, mas o governo recuperou boa parte do tempo perdido com iniciativas como a MP da Liberdade Econômica, assinada em 30 de abril e cujas medidas, que atacam problemas dos mais variados, partem de um princípio simples: a confiança na boa fé do empreendedor, ao contrário da pesada regulação que pressupõe sempre as piores intenções da parte de quem contrata.

Muitos economistas focam só no aspecto macroeconômico, deixando de lado a microeconomia. Mas ambos são igualmente importantes. Claro que são as reformas macro que vão permitir o retorno da confiança e, portanto, dos investidores. Mas é fundamental retirar os gargalos micro também, o excesso de burocracia que impede o avanço do país.

Se o governo conseguir aprovar uma reforma previdenciária com uma economia na faixa dos R$ 800 bilhões em dez anos, e ao mesmo tempo destravar essas amarras micro, reduzindo a asfixia burocrática do setor privado, poderemos resgatar uma trajetória de crescimento, e mais sustentável. Essa é a agenda que merece todo apoio da população e do Congresso. Responsabilidade fiscal no âmbito macroeconômico, e mais liberdade econômica do lado micro: eis a receita de sucesso de toda nação rica.