Rodrigo Constantino: as críticas de João Amoêdo ao governo Bolsonaro

  • Por Jovem Pan
  • 27/05/2019 19h21
MARIVALDO OLIVEIRA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDOTomara que as críticas construtivas não sejam ignoradas

Em entrevista para a Folha neste domingo, João Amoedo, do Partido Novo, disse que o governo Bolsonaro tem se perdido em polêmicas desnecessárias. Sobre a queda da popularidade do governo em pesquisas, ele disse: “Sempre se cria uma expectativa muito maior do que a capacidade de entrega. Então é natural que haja uma queda da popularidade. E esse governo em especial acabou se envolvendo em muitas polêmicas desnecessárias. Com isso, na atividade econômica, houve uma certa frustração em relação à velocidade das mudanças e da nossa retomada de crescimento.”

Para Amoedo, falta ao governo definir melhor as prioridades, ter equipe mais coesa e atrair parlamentares para um projeto comum: “A primeira coisa que eu faria seria selecionar as pautas prioritárias. E eu colocaria a reforma da Previdência como a número um, estaria falando disso a todo momento, mostrando para as pessoas que o sistema, além de insustentável, é injusto. O segundo ponto seria ter uma equipe muito alinhada, sem desavenças, em que a gente não ficasse falando de coisas que não interessem, não ficasse ouvindo opiniões de pessoas que não estão participando do governo e estão dando palpites a todo momento. Em terceiro, diálogo com o Congresso”.

Mas a articulação com o Congresso virou sinônimo de corrupção para muitos bolsonaristas, e eles saíram fortalecidos com as manifestações deste domingo. Nas redes sociais, o grau de ódio e revanche contra os liberais foi impressionante: a julgar pelo Twitter, esses bolsonaristas odeiam mais o MBL e o Novo do que o próprio PT – o que talvez seja justificável, já que Bolsonaro depende do PT para sobreviver politicamente.

Nada disso invalida as críticas de Amoedo, porém, ou os alertas feitos pelo MBL. Se o relativo sucesso dos atos pró-governo subir à cabeça de Bolsonaro e sua ala mais radical, e o clima com as demais alas do governo e com o Congresso azedar ainda mais, isso será péssimo não só para o futuro do governo, mas do Brasil como um todo. Tomara que as críticas construtivas não sejam ignoradas, abafadas pelos gritos das ruas…