Rodrigo Constantino: Comemorar – ou rememorar – o golpe ou contragolpe de 64

  • Por Jovem Pan
  • 01/04/2019 18h47
Alan Santos/PRPresidente Jair Bolsonaro esteve no centro da polêmica

Comemorar – ou rememorar – o golpe ou contragolpe de 64 foi a grande polêmica dos últimos dias, por conta do aniversário da tomada de poder pelos militares neste domingo. Parece absurdo celebrar qualquer ditadura, e o regime militar, que durou mais de duas décadas, com censura e repressão, não foi outra coisa além de uma ditadura, ainda que bem branda para os padrões da região.

Dito isso, duas coisas merecem destaque. A primeira, lembrar que os comunistas da época não desejavam democracia alguma, não lutavam por liberdade, e sim por um regime bem mais tirânico, como aquele vigente até hoje em Cuba. Nesse sentido, há, sim, motivo para comemorar o impedimento dessa agenda comunista, que representava um perigo real e, graças aos militares, foi abortado a tempo.

Entender o contexto da época, mergulhada na Guerra Fria e com Moscou financiando terroristas mundo afora, é crucial para não cairmos na narrativa de vitimismo dos comunistas, que quase destruíram o Brasil de vez.

O segundo ponto é separar o regime em duas fases. Castello Branco, com Roberto Campos como ministro, tinha a intenção de devolver um país livre do comunismo e democrático. Mas houve um golpe dentro do “golpe”, e daí os 21 anos de autoritarismo positivista. E isso não merece qualquer celebração, até porque foi um fracasso em todos os sentidos. Os militares, imbuídos de uma crença dirigista, criaram várias estatais, o “milagre econômico” não passou de um engodo, Delfim Netto foi o homem forte em economia, o mesmo que depois virou assessor de Lula, uma espécie de Sarney da economia, sempre em torno do poder. Não há o que festejar dessa época, além do começo, quando o golpe comunista foi interrompido.

Mas não podemos nos enganar com o discurso esquerdista que tenta reescrever a história. Assim como o Brasil petista quase virou uma Venezuela, o que foi impedido com o impeahcment de Dilma, o Brasil de Jango quase mergulhou no modelo cubano. Roberto Campos resumiu com perfeição: “É sumamente melancólico – porém não irrealista – admitir-se que no albor dos anos 60 este grande país não tinha senão duas miseráveis opções: ‘anos de chumbo’ ou ‘rios de sangue’…”