Rodrigo Constantino: O ponto não é tirar totalmente a política das escolas e universidades

  • Por Jovem Pan
  • 29/01/2019 17h32
Paulo Liebert/Estadão ConteúdoEscola Sem Partido já!

Principal estrategista do petismo, José Dirceu reconheceu, com todas as letras, que o Escola Sem Partido representa a “pior ameaça” para o projeto de poder da esquerda no Brasil. “A pior ameaça que nós vamos viver é o Escola Sem Partido. Porque a cultura e a educação é onde estão as mentes e os corações”, afirmou numa palestra disponível nas redes sociais.

Em sua coluna desta segunda, Antonio Gois atacou o Escola Sem Partido e defendeu a política na escola:

“Uma pesquisa Datafolha divulgada há duas semanas mostrou que sete em cada dez brasileiros concordam que assuntos políticos devem ser tema de aula nas escolas. A identificação de Jair Bolsonaro com as pautas do Escola Sem Partido gerou receio de que sua eleição levasse esses temas a serem evitados por professores, ou até mesmo proibidos. A boa notícia é que, mesmo entre eleitores declarados do Presidente, a ampla maioria (71%) concorda que a Política tem que estar na escola. A questão é como fazer isso”.

Sim, claro que essa é a questão, e é exatamente o motivo pelo qual existe o projeto Escola Sem Partido. Hoje o que vemos é a doutrinação ideológica no lugar do ensino, em vez de um ambiente realmente plural de ideias, em que o aluno tem acesso ao contraditório. No mais, debater temas conjunturais políticos pode ser apenas uma fuga para professores preguiçosos ou incompetentes: é mais fácil ter uma conversa de botequim do que ensinar matemática, línguas ou ciência.

Heather Mac Donald, uma conservadora secular americana e autora do livro War on Cops, acaba de lançar The Diversity Delusion, em que mostra como a ideologia “progressista” tem corrompido as universidades e desestabilizado a cultura. A esquerda radical sabe muito bem o que faz ao perverter o ensino e transformar as salas de aula em puxadinhos dos seus diretórios partidários. As “artes liberais” surgiram para ensinar o indivíduo a pensar, transmitir cultura clássica, mante-lo imerso por alguns anos na busca pelo conhecimento do que há de mais elevado no saber humano. A esquerda pretende substituir isso por uma mesa de bar, na melhor das hipóteses, ou num processo cruel de doutrinação ideológica, na mais provável delas.

O ponto não é tirar totalmente a política das escolas e universidades, e sim impedir que elas se tornem instrumentos de um partido único com visão bastante limitada sobre o que seja educação. Escola Sem Partido já!