Rodrigo Constantino: Privatize Já

  • Por Jovem Pan
  • 30/01/2019 20h46
ReproduçãoSalim disse ainda que o PSDB tentou fazer um modelo de welfare state e o PT algo autoritário e ditatorial. O empresário não poupou os tucanos de duras críticas

O secretário especial de desestatização Salim Mattar falou nesta terça num evento do Credit Suisse e destacou a importância das privatizações para o progresso do país. Salim defendeu inclusive a Vale como empresa privada, um enorme case de sucesso, e separou a companhia das pessoas que eventualmente teriam responsabilidade na tragédia de Brumadinho, e que devem pagar por isso. Ele se disse um defensor das empresas, que geram riqueza e empregos, e afirmou que a ideia do governo é vender quase tudo, deixando apenas BB (com escopo reduzido), Caixa e Petrobras.

Claro que o ideal do ponto de vista liberal é vender TUDO, inclusive essas três estatais. Estou certo de que Salim concorda, mas é preciso ter pragmatismo e atacar os inimigos possíveis. Na hora certa, as estatais restantes poderão ser vendidas também. Quem sabe num futuro governo ainda mais liberal?

Salim disse ainda que o PSDB tentou fazer um modelo de welfare state e o PT algo autoritário e ditatorial. O empresário não poupou os tucanos de duras críticas. Disse que ao tentar comprar um segundo mandato presidencial para FHC fez um desserviço ao país. O PT levou os maiores ataques, naturalmente. Salim disse que se tivessem vendido estatais em 2010 teriam reduzido a dívida pública pela metade. Foi uma enorme oportunidade perdida.

“Não existe dinheiro da União, existe gestor que cuida do dinheiro da população”, constatou Salim. Ou se investe em segurança, saúde e educação, ou tenta fazer todo o resto que o estado não precisa fazer e não consegue fazer de forma competente. Salim se mostrou otimista quanto aos eventuais obstáculos às privatizações. Disse que o TCU está apoiando e montou departamento para agilizar o processo, e que os tropeços no STF serão revertidos.

Salim disse ainda que o BNDESPar, braço de investimentos do BNDES, deverá  ter todas as suas participações vendidas e, enfim, ser fechado nos próximos quatro anos do  governo Jair Bolsonaro. “Não há razão para o governo ter uma carteira de ações de empresas.  Vamos vender essas empresas e abater dívidas.  São R$ 110 bilhões em participação. No último governo vocês viram o que foi o BNDES.  Essa farra acabou”.

Há, claro, muitos grupos de interesse contra as vendas, inclusive no setor privado (fornecedores de estatais, por exemplo). Mas está confiante de que o processo vai continuar e que o governo será capaz de reduzir bastante o tamanho de sua participação como empresário. É o que se deseja. E é alvissareiro um empresário com o perfil liberal como tem Salim Mattar liderando esse projeto de mudanças. O Brasil não pode perder essa oportunidade novamente. Privatize Já!