Rodrigo Constantino: Racha entre ala econômica liberal e ala militar é evidente

  • Por Rodrigo Constantino/Jovem Pan
  • 10/01/2019 08h58
Fernando Frazão/Agência BrasilA esperança é a última que morre. E espera-se que Bolsonaro, e os próprios militares, entendam a necessidade de uma reforma profunda

Os militares aprendem desde cedo a amar a pátria e se sacrificar por ela. Pois bem: é hora de provar esse patriotismo e esse altruísmo. “Militar é uma categoria muito marcante, de farda. Militares, policiais, agentes penitenciários, Judiciário, Legislativo, Ministério Público possuem características especiais, que têm de ser consideradas e discutidas”, disse o ministro Santos Cruz.

Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a proposta de reforma da Previdência a ser enviada ao Congresso em fevereiro será “profunda”, terá idade mínima para se aposentar e vai incluir um regime de capitalização. Nesse modelo, o trabalhador financia uma espécie de poupança própria para garantir sua aposentadoria no futuro. No sistema atual, o chamado modelo de repartição, as contribuições das pessoas em atividade são usadas para bancar os benefícios dos aposentados. Ou seja, esquema de pirâmide.

Para desfazer a imagem de que o governo vai propor uma reforma da Previdência branda, Guedes e Onyx afirmaram que o texto apresentado ao presidente Jair Bolsonaro será profundo e fará com que o Brasil não precise discutir novas reformas nas próximas duas décadas. “Queremos democratizar a poupança, acelerar o ritmo de crescimento, estimular o aumento de produtividade, gerar emprego. Então, é uma reforma bem mais profunda”, disse Guedes.

Está bem evidente o racha entre ala econômica liberal e ala militar dentro do governo Bolsonaro. Quem terá mais peso? Quem exerce mais influência no presidente? Sendo ele mesmo um militar com histórico nacionalista e corporativista, e um neófito no liberalismo econômico, o prognóstico da reforma não é dos melhores.

Mas a esperança é a última que morre. E espera-se que Bolsonaro, e os próprios militares, entendam a necessidade de uma reforma profunda, que corte privilégios de todos os setores, inclusive dos militares. O deputado Paulo Martins foi direto ao ponto: “Não existe isso de militares fora da reforma da previdência. Alguma modificação terá que ser feita. A situação exige o esforço do todos. Não sou eu quem diz isso, são as planilhas”.

A reforma da Previdência será a mãe de todas as guerras, e as duras disputas internas vão preceder as batalhas desafiadoras no Congresso e imprensa (opinião pública). Se a turma de Paulo Guedes conseguir emplacar uma reforma decente, e ela for aprovada pelos parlamentares, então haverá esperanças de um governo efetivamente liberal e bem-sucedido. Caso contrário, toda a expectativa gerada com a vitória de Bolsonaro será diretamente proporcional à decepção com os resultados pífios.Ao sacrifício em prol da nação, patriotas! Todos vão se beneficiar se houver uma reforma previdenciária para valer.