Rodrigo Constantino: STF está atiçando a população revoltada e indignada

  • Por Rodrigo Constantino/Jovem Pan
  • 17/04/2019 10h14
Rosinei Coutinho/STFO grau de autoritarismo salta aos olhos, segudo Constantino

Em mais um movimento temerário no seio do inquérito ilegal e abusivo aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar “fake news” e injúrias, difamações e calúnias que atingem a “honorabilidade e a segurança” do tribunal, o ministro Alexandre de Moraes mandou retirar do ar uma reportagem da revista Crusoé, divulgada também pelo portal O Antagonista, segundo a qual o empreiteiro Marcelo Odebrecht teria apontado que o presidente do STF, Dias Toffoli, é o “amigo do amigo do meu pai” na famigerada planilha da empresa.

O grau de autoritarismo salta aos olhos. O deputado Paulo Eduardo Martins desabafou: “Ao censurar a revista @RevistaCrusoe e @o_antagonista, o STF reduziu a nobre toga negra a um trapo sujo a ser usado como mordaça.”

O tiro, porém, saiu pela culatra: o STF instigou a curiosidade popular e, na era das redes sociais, a circulação do conteúdo da revista aumentou exponencialmente.

Não bastasse essa medida arbitrária do STF na segunda, na terça de manhã descobrimos que o general Paulo Chagas recebeu a visita da Polícia Federal, e várias pessoas tiveram suas contas nas redes sociais suspensas. Sete pessoas “investigadas” pelo próprio Supremo foram bloqueadas por ordem do ministro Alexandre de Moraes.

O STF está atiçando a população revoltada e indignada. Vai conseguir o que Eduardo e Carlos Bolsonaro não conseguiram: unir todos em torno do bolsonarismo radical, repetindo o bordão “um cabo e um soldado”. O povo se sente sem esperanças, pois lembra do alerta de Ruy Barbosa: “A pior ditadura é a do Poder Judiciário, pois não há a quem mais recorrer”.

Onde isso vai parar? Não sabemos. Mas dificilmente pode acabar bem. Quando a maioria se mostra desacreditada e saturada de uma instituição fundamental para a república como o STF, que em vez de ser o guardião da Constituição mais parece agir como o principal fator de desestabilização política, então é a própria democracia que corre perigo. Tempos estranhos e perigosos…