Rodrigo Constantino: Tática dos ‘progressistas’ é algo lamentável

  • Por Rodrigo Constantino/Jovem Pan
  • 24/04/2019 09h44
Reprodução/GloboNewsÉ praticamente impossível encontrar esquerda seguida de extrema ou radical, enquanto qualquer um mais à direita do que os esquerdistas tucanos já é chamado de extrema-direita ou radical

Merval Pereira comentou sobre o “debate do século” em sua coluna desta terça (23). Eu já falei desse embate de ideias entre Zizek e Jordan Peterson. Merval traça um paralelo com o outro “debate do século”, no caso do século XX, ocorrido entre Gore Vidal e William Buckley.

É imperdível, diga-se, mas terminou com ofensas pesadas entre ambos, enquanto no atual houve maior cordialidade entre adversários ideológicos. Um avanço interessante na era do tribalismo, sem dúvida.

Mas se Merval faz um bom resumo da coisa, ele escorrega feio na hora dos rótulos. Diz o jornalista: “As posições ideológicas estão tão extremadas em nossos dias que o que era considerado o ‘debate do século’ entre o filósofo e cientista social esloveno Slavoj Zizek, ícone da esquerda mundial, e o psicólogo canadense Jordan Peterson, representante da direita radical cujos programas na internet atraem milhares de seguidores pelo mundo digital, foi considerado frustrante”.

Gostaria que Merval Pereira apontasse um só pensamento radical de Jordan Peterson! Quem leu seu bestseller “12 rules for life” sabe que não há absolutamente nada extremista ali. Pelo contrário! Peterson é bastante moderado, alguém que foca sempre em argumentos e evita ao máximo ataques pessoais, e que leva a sério e respeita pontos de vista alternativos.

Suas várias palestras disponíveis no YouTube são de conteúdo igualmente ponderado, sem qualquer resquício de radicalismo.

O mesmo vale para Ben Shapiro, outro que a mídia mainstream gosta de rotular como radical ou de “extrema direita”, ele que anda com seguranças particulares por ameaças de fanáticos da alt-right nacional-populista.

Seu novo livro “The right side of History” é um apelo moderado ao resgate de valores judaico-cristãos, responsáveis pelo sucesso da civilização ocidental. Não há nada radical ali.

A tática dos “progressistas” de chamar qualquer conservador de radical e qualquer radical esquerdista apenas de esquerdista é uma das coisas mais lamentáveis que vemos, e felizmente engana cada vez menos gente. Zizek tem ideias um tanto revolucionárias e radicais. Peterson tem ideias moderadas e prudentes. Merval, porém, usa o adjetivo radical para definir apenas o representante da direita.

E assim é na grande imprensa quase toda: é praticamente impossível encontrar esquerda seguida de extrema ou radical, enquanto qualquer um mais à direita do que os esquerdistas tucanos já é chamado de extrema-direita ou radical. Tem método, como diria meu colega Carlos Andreazza. É pura desinformação…