Governo não sensibilizará deputados a votarem por reformas com base em agências de rating

  • Por Jovem Pan
  • 12/01/2018 08h42
Ana Volpe/SenadoO Congresso se pauta na regra do imediatismo político e da conveniência eleitoral. Apesar de toda a campanha do Governo e da demonstração de que quem votar nas reformas não será prejudicado para tentar reeleição, congressistas falam em “falta de moral” do Planalto

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s Global rebaixou nesta quinta-feira (11) o rating do Brasil de BB para BB-. A perspectiva da nota foi modificada de negativa para estável. O rebaixamento pela S&P era esperado nas últimas semanas, à medida que falharam as negociações no Congresso para aprovação da reforma da Previdência no final do ano passado.

O rebaixamento da nota configura que nem os mercados dão um centavo na possibilidade de o Governo aprovar a reforma da Previdência e cria o ambiente de falta de credibilidade no esforço feito pelo Governo para a sua aprovação.

O Governo interrompeu a discussão, mas tinha ficado claro que o esforço fiscal estava comprometido. Diante da dificuldade de o Governo conseguir 308 votos, a agência fez o contrário do que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, pediu e anteciparam a nota.

As pessoas na rua não estão nem aí, mas isso tem importância para os investidores. Por isso é importante. E para o Governo é balde de água fria no momento em que eles fazem discurso de retomada de economia.

No Congresso, a indiferença. O Congresso se pauta na regra do imediatismo político e da conveniência eleitoral. Apesar de toda a campanha do Governo e da demonstração de que quem votar nas reformas não será prejudicado para tentar reeleição, congressistas falam em “falta de moral” do Planalto para pedir mais uma votação favorável.

Não vai ser com base nas agências de rating que o Governo vai sensibilizar os deputados a votarem pela reforma da Previdência. Além disso, o calendário apertado, os problemas com os ministros e a mobilização com a base podem comprometer a votação marcada para o dia 19 de fevereiro.

Mas a vítima, de cara, após a divulgação do rebaixamento da nota é o ministro Meirelles. Levar nota negativa no boletim não é bonito de se mostrar na TV e isso causa certo abalo em seu discurso de se mostrar viável na candidatura à Presidência.

Confira o comentário completo de Vera Magalhães: