Vera: Governo recebe recados em votação da reforma administrativa

  • Por Jovem Pan
  • 23/05/2019 07h51
Fernando Frazão/Agência BrasilNeste momento, o presidente Jair Bolsonaro precisa de base, e a base das redes sociais não é suficiente

A Câmara aprovou a MP 870, mas retirou o Coaf das mãos de Sergio Moro e também nesta quinta-feira, na discussão de destaques, pode limitar a atuação de auditores fiscais.

Em relação ao texto, isso faz pouca diferença ao Governo. Não é algo que o presidente da República fizesse questão que ficasse na pasta de Sergio Moro, era mais uma questão do ministro da Justiça.

O que fica mais latente da votação é a desarticulação política. Mais uma vez. Porque a recriação de dois ministérios era fruto de articulação entre a Câmara e o Governo. Quando os líderes e parlamentares do PSL passaram a bombardear essa decisão, líderes de outros partidos apontaram quebra de confiança entre os dois poderes.

A bancada do PSL, durante a votação do Coaf, em vez de tentar articular e construir maioria, gravava lives sucessivamente, não dava atenção à tribuna e à Mesa Diretora. Mas é preciso articular.

Neste momento, o presidente Jair Bolsonaro precisa de base, e a base das redes sociais não é suficiente.

Hoje se vota destaque na mesma MP que retira poderes de auditores fiscais. A líder do Governo no Congresso, Joice Hasselmann, queria reverter a retirada de poder dos auditores. Porém, o líder na Câmara quer expor os deputados na votação.

Reforma tributária

A Câmara aprovou na CCJ a admissibilidade da reforma tributária e também tem significado político. Vimos como foi atabalhoada a tramitação da reforma da Previdência na mesma Cmissão de Constituição e Justiça.

Ao fazer rito expresso e sem polêmicas para a reforma tributária, o parlamento quer mostrar que quando não precisa da articulação do Governo, ele trabalha. Eles tomaram a frente na discussão da reforma tributária, que nasce na Câmara e vai andando a passos rápidos.

O Governo, que preparava sua própria reforma tributária, estuda embarcar no projeto que já tramita na Câmara.

A dissociação entre Governo e Legislativo pode levar a atritos mais para frente. E isso vai acontecer. Não existe a possibilidade de Governo prescindir do parlamento e nem do parlamento achar que vai governar sem o presidente.

Confira o comentário completo de Vera Magalhães: