Vera Magalhães: Ausência de debate prejudica conhecimento do eleitor sobre candidatos

  • Por Jovem Pan
  • 11/10/2018 07h54
Reprodução/Jornal NacionalEstamos em um debate de “surdos” sem que se desça ao escrutínio das propostas

A equipe médica de Bolsonaro vetou a participação do candidato em debates até o dia 18 de outubro e a questão correta é se isso vai prejudicar ou não a campanha. O eleitor conhece pouco em profundidade os seus dois candidatos, e isso pode levar a decepções sérias, qualquer que seja o eleito.

Temos que imaginar que médicos e candidato são responsáveis e, assim, afastar de cara a discussão que vemos sobre as ausências de Bolsonaro. O candidato do PSL tem o impedimento de ordem médica, porém não há como evitar de se crer que isso é impedimento à campanha.

Bolsonaro e Fernando Haddad não tiveram até agora a chance de debaterem oficialmente entre si. Estamos em um debate de “surdos” sem que se desça ao escrutínio das propostas. Espero que depois do dia 18 haja tempo razoável para ao menos dois confrontos diretos entre eles.

Eles precisam debater sobre reforma da Previdência, reformas, novo Congresso, liberdade de imprensa, entre outros temas. Um tem de ter a coragem de perguntar diretamente ao seu oponente coisas que tem insinuado. Quando um só fala perde-se a chance do contraditório.

Não é possível que a gente chegue a um segundo turno desta forma. Primeiro com o primeiro turno ditado por um preso, que é Lula, e por outro que ficou fora do mês decisivo de campanha e não pode ser suficientemente escrutinado.

Datafolha

A pesquisa deu vantagem a Jair Bolsonaro e não vejo chances de reviravolta. Sei que eleitores de Fernando Haddad têm feito tentativas nas redes sociais, mas para que isso fosse obtido, o petista precisaria ainda provocar reversão de votos em eleitores de seu adversário.

Em votos válidos, Bolsonaro tem 58% dos votos e Haddad 42%.

A onda de voto anti-PT ainda é mais forte do que qualquer pregação contra o Bolsonaro sobre riscos à democracia e de violência no País.

O segundo turno é corrida de tiro curto e não há registros de virada mesmo quando o pleito estava mais próximo.

Confira o comentário completo de Vera Magalhães: