Vera: Trabalho de convencimento para impedir emendas à Previdência precisa começar pelo PSL

  • Por Jovem Pan
  • 02/07/2019 08h46
Divulgação/Agência CâmaraA Comissão Especial Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados

A reforma da Previdência ainda tem pontos em aberto. Há tanto algumas tentativas de se colocar emendas ao texto, quanto um certo corpo mole por parte do Centrão com os prazos, devido às insatisfações de acordos com o governo.

Cinco pontos estão sujeitos a mudanças. O primeiro diz respeito a estados e municípios. Eles estavam no texto original, foram retirados pelo relator e há pressão para que sejam reincluídos. Está difícil de acontecer. Maia também participou das tratativas para que fossem incluídos, mas a base não quer esse modelo.

O relator também estuda fazer mudanças para abrandar as regras da Previdência para professoras. A bancada do PSL, partido do próprio presidente Jair Bolsonaro, pressiona por mudanças que abrangem regras para Polícia Rodoviária Federal (PRF) e policiais em relação à idade mínima e ao vencimento desses policiais.

Grupos de procuradores e promotores, por sua vez, fazem pressão para que o relator altere regra de cálculo de recebimentos.

Não são mudanças pequenas, uma vez que são alterações que podem ter impacto no ponto fiscal da reforma e, por isso, vão demandar ainda muita articulação.

O governo tem articulado para que todos os partidos que apoiam a reforma concordassem em retirar suas emendas e votassem com o texto do parecer. O convencimento, neste caso, tem que começar pelo próprio partido do presidente.

Em relação às emendas, essas parecem ser mais fáceis de resolver. Tem questões sendo tratadas.

Ida de Sergio Moro à Câmara

Sergio Moro ficou muito fortalecido nas ruas. Pessoas no Brasil todo foram às ruas, mas isso não necessariamente se reflete em um clima mais ameno na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, onde ele será ouvido nesta terça-feira (2).

Esse encontro era para ter acontecido na semana passada e a oposição se mobiliza para ser dura na Câmara. Moro, porém, vai contar com a bancada estridente do PSL, que vai tentar usar endosso das ruas em seus discursos.

Senadores costumam ter tom mais respeitosos, e na Câmara a gente já viu que as coisas podem fugir mais do controle. Vale lembrar quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi à Casa e houve a discussão com o deputado Zeca Dirceu (PT-PR), que chamou o ministro de “tchutchuca”.

Na relação geral entre Congresso e governo, reina uma desconfiança ainda maior. Os parlamentare acham que governo vai encontrar pressão permanente vinda das ruas e que isso não ajudará na relação entre Executivo e Legislativo.

Os jornais de hoje trazem entrevistas com deputados que mostram que, depois da reforma da Previdência, será cada um por si. Ou seja, há a previsão de um certo divórcio entre Executivo e Legislativo no Congresso.

Deve continuar o que nós já estamos vendo, de parlamentares buscarem agenda própria na seara econômica e de costumes. Como isso se dará na prática, terá que ver evolução, se governo vai tirar pé do acelerador ou se vai exacerbar.

Senadores e deputados também foram eleitos e, se esticar demais a corda, a coisa pode resvalar numa dificuldade de governo.