Maia alertou Onyx sobre repercussão de cortes nas universidades: ‘Vai atrapalhar o presidente’

  • Por Jovem Pan
  • 09/05/2019 17h25
Gilmar Félix/Câmara dos DeputadosRodrigo Maia afirmou que os cortes de orçamento das universidades públicas podem gerar uma crise desnecessária para Bolsonaro

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), não vê com bons olhos os cortes do governo federal no orçamento das universidades públicas. Em entrevista exclusiva ao programa 3 em 1, da Jovem Pan, ele afirmou que só não posicionou de maneira mais contundente até agora porque está tentando ter uma boa relação com o presidente Jair Bolsonaro.

“Como estou querendo ter uma relação boa com o governo, ainda não entrei de forma mais contundente nesse assunto, mas já disse ao Onyx [Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil: eu acho que vai atrapalhar o presidente o que está acontecendo”, disse Maia. “Eu acho que ele está errando”, falou sobre o ministro da Educação, Abraham Weintraub.

O deputado explicou que os cortes promovidos pelo MEC geram uma crise evitável para Bolsonaro. “Daqui a pouco ele vai ter uma manifestação em cada canto do Brasil com alunos mobilizados contra o governo de forma desnecessária”, comentou. “O governo não vai cortar esses recursos, não pode fazer isso, não deve fazer isso.”

Rodrigo Maia, no entanto, defendeu que seja apurado o uso de recursos públicos pelas universidades. “Tem um debate a ser feito do custo de cada universidade, uma auditoria grande em cima de cada uma delas para a gente ver se esse custo está valendo, mas isso é para depois”, afirmou.

Maia também criticou o Escola Sem Partido e disse que o projeto não ataca os principais problemas das escolas brasileiras. “O Escola Sem Partido não traz um benefício para a melhoria do ensino”, resumiu. “Essa agenda não agrega, não vai no ponto fundamental.”

Reformas

O presidente da Câmara ainda falou sobre a reforma da Previdência. Ele criticou a fala do deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que afirmou que a aprovação da proposta causaria a reeleição de Bolsonaro. “Eu acho que a Previdência é parte de um sistema de mudanças que o Brasil precisa que pode gerar a possibilidade do presidente ser reeleito, mas isso é da democracia, é um direito que ele tem, o da reeleição”, explicou. Ele destacou que o país não pode sair perdendo por um projeto político. “O que não pode é prejudicar os brasileiros porque o presidente pode ou não ser reeleito, não seria correto com a sociedade brasileira”, afirmou.

Para o deputado, se uma reforma que gere mais economia será favorável a Bolsonaro, uma mais branda vai prejudicar os próprios parlamentares. “Uma reforma de R$ 400 milhões vai aprofundar o colapso social e fiscal no Brasil e o parlamento vai ser cobrado também. A sociedade hoje compreende muito mais o nosso papel do que compreendia no passado”, disse.

Depois da reforma da Previdência, Maia quer passar a reforma tributária. “Imagino daqui a quatro ou cinco meses a Câmara aprovando as reformas previdenciária e tributária”, antecipou. “Talvez seja um sonho do presidente da Câmara, mas seria muito importante para o Brasil.”

Criminalização da política

Presidente da Câmara pela terceira vez, Rodrigo Maia sobreviveu à renovação política promovida pelas eleições do ano passado e conseguiu se reeleger. Para ele, nos últimos anos, houve uma criminalização da política. “O que acabou passando para a sociedade é que havia um problema sistêmico, o que eu não acho que seja verdadeiro”, disse sobre os escândalos de corrupção.

O deputado acredita que a crise econômica agravou a situação. “A crise econômica, o desemprego, e as matérias de investigação de corrupção na política geraram na cabeça da sociedade a seguinte informação: ‘estou vivendo essa crise porque tem desvio de dinheiro público’”, explicou. “Isso responde por uma parte, não pelo todo”, reconheceu.

No entanto, Maia não acredita que a Lava Jato, uma das responsáveis por desvendar crimes no setor público nos últimos anos, tenha sido algo ruim. “O importante é que a gente compreenda que, no todo, ela foi uma ação vitoriosa para o Brasil”, afirmou. “Se individualmente alguém da Lava Jato cometeu algum erro ou abuso, a gente não pode transformar isso num problema para acabar com a operação”, disse o presidente.