Delação premiada: confira declarações de Delcídio que implicaram Dilma e Lula

  • Por Jovem Pan
  • 03/03/2016 15h33
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) realiza reunião deliberativa com 16 itens. Na pauta, PLC 50/2014, que regulamenta a comercialização de planos de assistência funerária; e PLS 307/2012, que limita prazo de 30 dias para fornecimento de sigilos bancários. À mesa, presidente da CAE, senador Delcídio do Amaral (PT-MS). Foto: Geraldo Magela /Agência SenadoDelcídio do Amaral

A revista IstoÉ divulgou nesta quinta-feira (03) o conteúdo da delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT) feita aos investigadores da Operação Lava Jato no dia 19 de fevereiro, pouco antes de deixar a prisão.

Além de comprometer deputados e senadores da base aliada e da oposição, as mais de 400 páginas do depoimento complicam a situação da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula. A papelada está no gabinete do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, que decidirá se homologa ou não a delação.

Confira os principais pontos:


“Dilma interferiu na Lava Jato”
Segundo Delcídio, Dilma tentou três vezes interferir na Lava Jato com a ajuda do ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

– A primeira tentativa ocorreu numa reunião entre Dilma, José Eduardo Cardozo e o presidente do STF, Ricardo Levandowski, numa escala em Portugal para supostamente falar sobre o reajuste de verbas do Poder Judiciário. O tema verdadeiro seria a Lava Jato, mas o encontro foi um fracasso, pois Lewandowski insistiu que não se envolveria.

– Na segunda vez, Cardozo tentou indicar para uma das vagas no STJ o presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Nelson Schaefer. A manobra tentaria agradar o ministro Newton Trisotto, também do STJ, para que ele votasse pela libertação de Marcelo Odebrecht, presidente afastado do grupo Odebrecht, e de Otávio Marques de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez na Corte. Trisotto se negou a participar.

– Na terceira investida contra a operação, Dilma nomeou o ministro Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça. Delcídio contou que esteve com Dilma no Palácio da Alvorada para falar sobre o assunto. Ela pediu que Delcídio, na condição de líder do governo, “conversasse com o Navarro, a fim de que ele confirmasse o compromisso de soltura de Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo”.

(OBSERVAÇÃO: Em recente julgamento de habeas corpus no STJ, Marcelo Navarro, na condição de relator, votou favoravelmente pela soltura dos dois executivos. No entanto, obteve um revés de 4 a 1 contra seu posicionamento).

“Dilma sabia de tudo do acerto de Pasadena”
Delcídio desmente a versão da presidente Dilma Rousseff de que ela e os conselheiros do colegiado não tinham conhecimento de cláusulas desfavoráveis a Petrobras na compra da refinaria de Pasadena.


“Dilma queria Cerveró na Petrobras” 
O senador relatou que, diferente do que disse a presidente, a indicação de Nestor Cerveró para a Diretoria Financeira da BR Distribuidora contou efetivamente com a participação dela. Dilma teria, inclusive, telefonado suas vezes para Delcídio para tratar do tema.

“CPI dos Bingos protegeu Dilma”
A comissão estava próxima de descobrir uma operação de caixa dois na campanha de Dilma em 2010 feita pelo doleiro Adir Assad. O governo mobilizou sua base aliada para barrar a investigação e encerrar imediatamente os trabalhos da CPI – que terminou sem relatório final.

“Lula mandou pagar Cerveró”
O senador petista relatou que o ex-presidente Lula comandou o esquema do pagamento de uma mesada ao ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, para tentar evitar sua delação premiada. Lula não queria que Cerveró mencionasse o nome do pecuarista José Carlos Bumlai, seu amigo, na compra de sondas superfaturadas feitas pela petroleira.

“Lula comprou o silêncio de Marcos Valério”
De acordo com Delcídio, o ex-presidente autorizou o pagamento de R$ 220 milhões a Marcos Valério para que o publicitário ficasse calado em seu depoimento à CPI dos Correios, a comissão sobre o mensalão. O senador afirma que ele e Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, ficaram responsáveis de tratar com Valério. Sem sucesso, quem assumiu as negociações foi Antonio Palocci, então ministro da Fazenda.

“Exclusão de Lula e Lulinha da CPI dos Correios evitou o impeachment”
Segundo Delcídio, que presidiu a Comissão dos Correios, Lula escapou do impeachment por uma manobra governista. Por meio de uma votação “duvidosa”, a CPI deixou de fora os nomes do ex-presidente e de seu filho Fábio Lula da Silva, conhecido como Lulinha, do relatório final.

“Lula pressiona CPI do CARF para proteger a família” 
Delcídio disse que a grande preocupação de Lula é a CPI do Carf, que além de atingi-lo, pode levar à cadeia seu filho caçula, Luís Cláudio da Silva. Segundo o senador petista, “por várias vezes Lula solicitou a ele que agisse para evitar a convocação do casal Mauro Marcondes e Cristina Mautoni para depor”.

“Bumlai é o consigliere da família Lula”
Bumlai, segundo o senador, gozava de “total intimidade” e exercia o papel de “consigliere” da família Lula. A expressão “consigliere” é usada pela máfia italiana e consagrada no filme “O Poderoso Chefão” para designar o conselheiro que detinha uma posição de liderança e representava o chefe em reuniões importantes.


“Pedágio na CPI da Petrobras”
Delcídio afirmou que os senadores Gim Argello, do PTB do Distrito Federal, e Vital do Rego, do PMDB da Paraíba, e os deputados Marco Maia, do PT do Rio Grande do Sul, e Fernando Francischini, do Solidariedade do Paraná, jantavam frequentemente com os executivos Léo Pinheiro, da OAS, Júlio Camargo, da Toyo Setal, e Ricardo Pessoa, da UTC. Nesses encontros, os parlamentares cobravam dinheiro em troca da não-convocação dos empresários para a CPI da Petrobras.