Tite é perguntado sobre manobra da CBF, fica desconcertado e “foge” da resposta

  • Por Jovem Pan
  • 12/03/2018 14h26
Lucas Figueiredo/CBFTite convocou nesta segunda-feira a Seleção Brasileira que enfrentará Rússia e Alemanha nos últimos amistosos antes do anúncio da lista final à Copa

Neymar? Talisca? Rodrigo Caio? Taison? Willian José? Não. Foi uma pergunta sobre a eleição presidencial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que desconcertou Tite após o anúncio da convocação para os amistosos contra Rússia e Alemanha, no fim de março.

O treinador não disfarçou o desconforto com um questionamento feito pelo repórter Silvio Barsetti, do Portal Terra. O jornalista perguntou a Tite o que ele achava sobre a “manobra” articulada pela CBF para excluir os clubes da discussão e lançar chapa única na próxima eleição da entidade.

Eis, abaixo, a indagação de Barsetti:

“No momento em que se aproxima a Copa, a gente vê mais uma vez a diretoria da CBF usar de um artifício que não é ilegal, mas que soa como imoral e indecente, que é a de coletar 20 assinaturas de presidentes de federações, na calada da noite, para impedir que haja uma chapa de oposição na próxima eleição da CBF. Isso foi feito excluindo totalmente os clubes do processo… Foi uma decisão indecente, imoral, mas que não impede o Rogério Caboclo, que está aí na sua frente, que será o futuro presidente da CBF, de viajar para o exterior com o risco de ser preso. Eu gostaria de saber se causa embaraço para você, que faz um trabalho tão honesto, tão correto, quase perfeito na Seleção, essa situação política do futebol brasileiro.”

Tite ficou desconcertado com a pergunta e, claramente desconfortável, esquivou-se da resposta.

“Silvio, eu não gostaria de receber essa pergunta que tu estás fazendo aqui nesse momento, porque acho que o momento não é propício a essa situação e a essa colocação. Se um compromisso teve e nos foi dado por toda a direção, no sentido de desenvolver o trabalho na Seleção Brasileira, ele deve ser, com os seus elogios e críticas, pertinentes a ele. Todas as condições para que nós desenvolvêssemos o nosso trabalho nos foram dadas. E é uma responsabilidade que a gente tem de dar o melhor para a Seleção, em ser transparente, ético e passar princípios importantes para quem está nos ouvindo”, afirmou o técnico, antes de tergiversar e falar sobre Neymar e a preparação para a Copa. “Claro que outros fatores podem ser abordados! Mas em outro momento, de outra forma, com outras pessoas”, finalizou.

Essa não foi a primeira vez que Tite ficou em posição de desconforto em uma coletiva da Seleção. Logo na sua apresentação na CBF, em junho de 2016, o treinador foi questionado sobre por que havia aceitado trabalhar com Marco Polo Del Nero, presidente da entidade cuja renúncia fora pedida pelo próprio Tite na assinatura de um manifesto no fim de 2015, quando ele ainda comandava o Corinthians. Na ocasião, o técnico disse que esse assunto fazia “parte do passado”.