Alckmin é associado às reformas e Bolsonaro causa incerteza, diz Schwartsman

  • Por Jovem Pan
  • 21/07/2018 15h37
João Henrique Moreira/Jovem Pan"Olhando a 'capivara' de Bolsonaro, não parece o tipo de pessoa que defende as reformas de que o País precisa", disse o ex-diretor do BC

O economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, comentou em entrevista à Jovem Pan neste sábado (21) a reação do mercado às mudanças no cenário eleitoral.

A bolsa de valores subiu e o dólar caiu com a notícia de que o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) fechou acordo com os principais partidos do chamado “centrão”, que lhe darão maior capilaridade de apoio pelo País, além de grande fatia do tempo horário eleitoral no rádio e na TV.

Schwartsman apontou que a agenda reformista “é associada bastante ao Alckmin”.

“De maneira geral candidaturas à esquerda são vistas como candidaturas que não levam adiante a mudança do status quo de que a gente precisa”, contrapôs o economista.

Jair Bolsonaro (PSL), mesmo tendo escolhido o economista liberal Paulo Guedes para liderar sua campanha, ainda é visto com desconfiança.

“Causa uma incerteza porque ninguém esquece do currículo do Bolsonaro. Olhando a ‘capivara’ de Bolsonaro, não parece o tipo de pessoa que defende as reformas de que o País precisa”, disse Schwartsman, lembrando que o deputado “lutou contra o plano real, contra a reforma da Previdência”.

“Pode ser que o cara estava na estrada de Damasco e mudou…”, cogitou o economista, em referência ao apóstolo Paulo, que se encontrou com Cristo ao cair do cavalo e deixou de ser um perseguidor do cristianismo para ser um de seus maiores propagadores. “Isso aconteceu com São Paulo, mas não sei de Bolsonaro já está na categoria do santo fundador do catolicismo”, ironizou.

Importância das reformas

Para Schwartsman, o ajuste fiscal é a “base” das reformas necessárias para se evitar que o País entre em um “processo inflacionário”.

Ele pondera, no entanto, que esse seria apenas o primeiro passo. “Precisamos mudar radicalmente a estrutura de incentivos nesse País. As empresas públicas estão sendo loteadas e não investem nas coisas mais importantes. (O Brasil) tem que ser um país mais integrado com o comércio exterior”, enumerou. “Há uma agenda de reforma que não se esgota com a questão fiscal”, disse.

“É muito bonito discutir educação, mas com uma inflação galopante não resolve. O Brasil é um país condenado a se reformar nos próximos 10 anos”, condenou.

Desalento com a política

O ex-diretor do BC manifestou uma desesperança em eventuais mudanças na forma como se faz política no País. “Esses caras (políticos) não vieram do nada; quem os escolheu fomos nós”, disse. “A população brasileira que põe os caras lá”, argumentou Schwartsman, para quem o Congresso espelha a sociedade.

“Há um divórcio entre economia e política no País. Mas eu não acho que há um divórcio entre políticos e sociedade. A sociedade gosta de privilégios, só não gosta dos privilégios dos outros, e os políticos vão defender os seus privilégios”, lamentou.

Ouça a entrevista completa dada no Jornal da Manhã a Denise Campos de Toledo: