Autoridades denunciam crimes cometidos na Venezuela em audiência da OEA

Entre os principais pontos discutidos, estão 6.800 execuções extra-judiciais entre janeiro de 2018 e maio de 2019, relatos de tortura e o deslocamento forçado do grupo étnico Pemón

  • Por Jovem Pan
  • 13/07/2019 12h27
Agência EFEO ditador da Venezuela, Nicolás Maduro

A Organização dos Estados Americanos (OEA) relata crimes internacionais cometidos pelo governo do ditador Nicolás Maduro, na Venezuela. O presidente da OEA, Luis Almagro, liderou o encontro desta sexta-feira (12), que contou com a advogada e ativista venezuelana, Tamara Suju, o ex-chefe policial do país, Iván Simonovis, e o diplomata dos Estados Unidos, Elliott Abrams.

Entre os principais pontos discutidos, estão 6.800 execuções extra-judiciais entre janeiro de 2018 e maio de 2019, relatos de tortura e o deslocamento forçado do grupo étnico Pemón. Os crimes foram expostos na semana passada em relatório da alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, que foi presidente do Chile. No texto, ela destaca que Maduro comete “graves violações de direitos”.

Em resposta, o ditador apresentou setenta observações sobre o que chamou de omissões de Bachelet quanto às sanções econômicas norte-americanas.

Para Luis Almagro, presidente da OEA, o informe da alta comissária da ONU para os Direitos Humanos deixa mais clara a situação venezuelana. “Creio que temos um efeito expansivo nesse informe por si mesmo, no sentido de que muita gente que logicamente não podia entender determinadas coisas”, disse. “Talvez agora esteja mais aberto para entender as razões de uma ditadura opressora, torturadora e assassina.”

Para Luis Almagro, quanto Maduro tenta amansar a comunidade internacional, por outro lado, segue cometendo crimes internamente.

O diplomata norte-americano Elliott Abrams destacou que nenhuma ditadura dura para sempre, mas que cada dia que um regime do tipo persiste, é mais um dia de repressão e sofrimento para o povo venezuelano. “Ele apelou para que as democracias se unam para repudiar a violação dos direitos humanos na Venezuela”, disse.

Na esteira das acusações, o número dois da ditadura chavista, Diosdado Cabello, convocou uma marcha para este sábado.

A situação da Venezuela se acirrou desde janeiro, quando o opositor Juan Guaidó se autoproclamou presidente interino do país, contestando a legitimidade da ditadura chavista. Mais de cinquenta países apoiaram e reconheceram a autoridade de Guaidó, que convocou diversas manifestações e atuou na tentativa de levar para dentro da Venezuela a ajuda humanitária oferecida por outras nações.

Esta semana, em Barbados, representantes da oposição e da ditadura se reuniram para tentar terminar com a crise política. O encontro foi promovido pelo governo da Noruega e acabou terminando sem resolução. A expectativa é que as conversas sejam retomadas na próxima segunda-feira, dia 15.

*Com informações do repórter Matheus Meirelles