Avanços da rede 5G: Disputa tecnológica entre EUA e China envolve ainda países europeus

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 15/04/2019 09h40
PixabayO Brasil pretende iniciar seu leilão 5G no ano que vem e dada a aproximação do governo de Jair Bolsonaro com o de Donald Trump certamente passará pela mesma disputa de interesses

Desde que o mundo é mundo supremacia econômica está diretamente ligada à supremacia tecnológica. E dentro desse contexto ocorre uma dura disputa entre China e Estados Unidos, com a Europa no meio.

O governo da Alemanha indicou nesta segunda-feira (15) que não irá bloquear tecnologia chinesa na implantação da rede 5G no país, apesar da forte pressão exercida por Washington. A decisão é uma importante vitória para a fabricante asiática Huawei, que domina diversos elementos do sistema de comunicação.

O 5G é o próximo avanço das telecomunicações que vai permitir entre outros pontos velocidades de internet muito superiores às atuais. E a China está bem mais avançada na pesquisa e implantação dessa tecnologia em comparação aos Estados Unidos. Tanto que Washington tem pressionado seus aliados ao redor do mundo a não comprarem os sistemas chineses.

A justificativa, de acordo com os americanos, seria que a China não é um parceiro confiável e que os equipamentos da Huawei vão permitir uma porta dos fundos para espionagem de Pequim.

Austrália e Nova Zelândia já cederam à pressão dos americanos, que ameaçam cortar a cooperação militar e de inteligência com quem tiver tecnologia 5G da China. Na Europa, no entanto, os alertas dos americanos são vistos com bastante reticência.

A Alemanha está leiloando seu espectro 5G desde o ano passado e já arrecadou cerca de 5,2 bilhões de euros. As principais empresas envolvidas no leilão, entre elas Vodafone e Telefônica, utilizam tecnologia da Huawei em seus sistemas. Portanto, barrar os chineses significaria atrasar a implantação da rede, algo que os alemães não parecem dispostos a aceitar.

O embaixador dos Estados Unidos em Berlim chegou a enviar uma carta alertando o governo de Angela Merkel que poderá cortar a cooperação de inteligência entre os dois países se o 5G alemão for mesmo baseado em tecnologia chinesa.

Outros europeus têm sofrido pressão semelhante como Polônia, França e o Reino Unido. Mas na prática a maioria tem dito que não encontrou indícios de problemas nos equipamentos chineses.

O Brasil pretende iniciar seu leilão 5G no ano que vem e dada a aproximação do governo de Jair Bolsonaro com o de Donald Trump certamente passará pela mesma disputa de interesses.

Angela Merkel, que assim como Dilma Rousseff foi grampeada por Washington, optou pelo caminho mais rápido e barato para implantar um avanço tecnológico extremamente relevante em seu país.