Catalunha não deve declarar independência nos próximos dias para capitalizar desgaste em Madri

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 03/10/2017 06h53
EFE/Robin TownsendEm tese, o governo catalão deveria decretar a independência da região nas próximas horas, mas a chamada Generalitat sabe que tomar essa decisão de forma unilateral terá consequências imprevisíveis

A Espanha segue no impasse do referendo separatista da Catalunha agora com os dois lados esperando quem vai dar o próximo golpe.

Em tese, o governo catalão deveria decretar a independência da região nas próximas horas. Pelo menos é isso que prevê a lei local que criou toda essa confusão.

Mas a chamada Generalitat sabe que tomar essa decisão de forma unilateral terá consequências imprevisíveis – e possivelmente violentas. Principalmente depois da brutalidade demonstrada pela polícia de Madri no domingo.

Por isso os indícios são de que o governo de Barcelona não vai declarar a independência da região nos próximos dias para capitalizar o desgaste que Madri está sofrendo por causa da repressão contra os populares.

Os separatistas também querem ganhar tempo para tentar contar com a intervenção da União Europeia na questão tentando encontrar uma saída negociada para a crise.

O problema é que a situação chegou a tal extremo que um acordo parece algo muito improvável. Como alertou o jornal El País, nem o Papa seria capaz de encontrar uma solução para a causa separatista neste momento. A missão talvez fosse executada apenas por Santa Rita de Cássia, a padroeira das causas impossíveis.

Em Madri, a decisão do governo foi de não fazer nada agora e esperar pelo próximo passo dos separatistas. O presidente de governo, o conservador Mariano Rajoy, ainda conta com o apoio dos outros grandes partidos do país ao rechaçar os movimentos da Catalunha. Mas não se sabe até quando, principalmente porque os socialistas estão bastante pressionados.

Por ora, ninguém sabe direito o que fazer na Espanha para acabar com esta crise, em um país que tem tantos outros problemas graves para resolver, principalmente a economia, que dá sopros de recuperação depois de anos no fundo poço, mas que ainda está longe de se recuperar completamente.