CNI aponta que Brasil precisa aumentar investimentos em saneamento

  • Por Jovem Pan
  • 23/06/2018 10h25
Valter Campanato/ABrNos últimos oito anos, a média de investimentos no saneamento básico foi de R$ 13 bilhões por ano

Nessa semana, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgou um estudo apontando que é preciso ser feito para que o saneamento básico alcance o maior número possível de brasileiros. Atualmente, 43% de toda a população nacional não têm acesso a nenhum serviço de coleta e de esgoto e de todo o esgoto que é gerado pelos 57% mais privilegiados que têm esse serviço, só a metade é tratada antes de ser devolvida na natureza.

Esses índices têm relação direta com problemas de saúde pública. Se as taxas de tratamento de esgoto não fossem tão baixas, não teria taxas tão altas de mortalidade infantil e de doenças como a dengue, zika, a chikungunya e a febre amarela.

Nos últimos oito anos, a média de investimentos no saneamento básico foi de R$ 13 bilhões por ano. Para alcançar a universalização do tratamento da água – pra todo mundo – em 2033, conforme estabelece o Plano Nacional de Saneamento Básico, é necessário ampliar em 62% o volume de investimentos; para um patamar de 21 bilhões anuais.

Esse apontamento é parte de uma série de 43 trabalhos que a CNI fez sobre temas estratégicos e que serão entregues aos candidatos à Presidência. Mas essa não é a primeira vez que a Confederação Nacional da Indústria faz um levantamento como o desse ano e entrega para os candidatos, como explica a especialista em infra-estrutura da CNI, Ilana Ferreira.

“Os investimentos no setor de fato aumentaram, mas encontramos outros desafios. Eles não geraram uma expansão mais acelerada da rede de esgoto.

O documento ressalta uma sugestão observada com experiências de outros países desenvolvidos quanto ao avanço nos serviços de esgoto e tratamento de água, o que tem impacto direto na saúde pública. As parcerias público-privadas e as concessões à iniciativa privada na gestão da água.

Companhias privadas apresentam indicadores de produtividade 5,4% superiores à média nacional e a qualidade da água é maior que do que a das empresas públicas.

A incidência de coliformes fecais observada na água fornecida por companhias privadas é seis vezes menor do que a média nacional e o preço cobrado, em média, pelas companhias privadas pelo serviço, é de apenas 11 centavos acima das empresas públicas, ao contrário do que muita gente imagina. “É preciso de clareza onde cabe a entrada do setor privado. Seja na concessão total de serviços ou por meio de parceira.O município mantém a distribuição de água e a coleta de esgoto pode ficar à cargo do setor privado.  Isso pode funcionar muito bem”, esclareceu Ilana Ferreira.

Caso o presidente eleito ignore esses dados e sejam mantidos os níveis atuais de investimento, a universalização dos serviços será atingida só depois do ano de 2050.

*Com informações do repórter Caio Rocha