Delação de dono da Gol cita repasses a Maia e a políticos de ao menos 4 partidos

O delator falou de “benefício financeiro” a Maia e outros parlamentares ou ex-parlamentares

  • Por Jovem Pan
  • 14/05/2019 07h09
Marcelo Camargo/Agência BrasilO acordo, que é sigiloso, foi assinado em 25 de fevereiro e homologado pelo juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal

O empresário Henrique Constantino, dono da companhia aérea Gol, assinou acordo de delação premiada e citou repasses ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Em um dos dez anexos do documento, o delator falou de “benefício financeiro” a Maia e outros parlamentares ou ex-parlamentares por meio da Associação Brasileira das Empresas Aéreas.

O acordo, que é sigiloso, foi assinado em 25 de fevereiro e homologado pelo juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal.

Em outro anexo da delação, Henrique Constantino afirma que pagou propina a políticos do MDB, como o ex-presidente Michel Temer.

Além dele, os ex-presidentes da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, e o ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima.
 Na delação, Constantino confessa pagamentos ilícitos a esses políticos em troca de financiamentos da Caixa Econômica Federal para as empresas dele.

Ele disse ter pagado em 2012 mais de R$ 7 milhões ao operador financeiro Lúcio Funaro, que teria repassado a quantia a políticos do então PMDB. Em contrapartida, a Caixa teria liberado R$ 350 milhões para empresas ligadas a Constantino.

O empresário concordou em devolver à Caixa R$ 70,7 milhões a título de reparação.

O ex-governador de Minas Gerais Fernando Pimentel, do PT, teria recebido caixa dois da companhia aérea para a campanha ao governo do Estado.

A Caixa Econômica Federal informou que presta “irrestrita colaboração” com as investigações e que as operações do banco obedecem a “padrões rígidos” de governança.

Rodrigo Maia afirmou que não conhece nem nunca esteve com o delator, nega qualquer irregularidade e diz que este “vai ser mais um inquérito arquivado na Justiça brasileira”.

Em nota, a Abear afirmou que desconhece os fatos e o teor da delação e que, “caso a entidade seja procurada pela Justiça para esclarecimentos, estará à disposição”.

O advogado do ex-presidente Michel Temer, Eduardo Carnelós, disse que causa estranhamento a delação ter sido divulgada na véspera do julgamento de habeas corpus pelo Superior Tribunal de Justiça.

Defesas de outros citados que foram localizadas pela reportagem também negaram irregularidades.

*Informações do repórter Afonso Marangoni