Delação: Palocci diz que Dilma ‘deu corda’ para Lava Jato sufocar Lula

  • Por Jovem Pan
  • 19/01/2019 09h00
Estadão ConteúdoIndicação para a Petrobras teria causado racha no PT

O ex-ministro Antonio Palocci relatou em delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato que havia uma “ruptura” entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, o que levou à formação de dois grupos dentro do Partido dos Trabalhadores. O documento foi anexado na sexta-feira (18) a autos de processo sobre Belo Monte.

O ponto de partida do conflito teria sido a indicação de Graça Foster para a presidência da Petrobras –  ela não tinha ligação com Lula. Segundo o ex-ministro, Dilma tentava se afastar do controle do antecessor e, com a nomeação da aliada, queria inviabilizar o financiamento eleitoral de projetos que poderiam ajudar Lula a voltar à Presidência.

Ele destacou também que a ex-presidente teria “dado corda” para o aprofundamento da operação Lava Jato para implicar o antecessor, que com o avanço das investigações, teria voltado as atenções para preservar a própria imagem.

Palocci relata que chegou a perguntar a Lula porque não usava o dinheiro de palestras para pagar o triplex no Guarujá (SP), objeto da condenação a 12 anos e 1 mês que cumpre em regime fechado em Curitiba, no Paraná. Lula teria respondido que um apartamento na praia “não caberia na biografia”.

Em outro trecho da delação, o ex-ministro disse que a Andrade Gutierrez pagou despesas ao instituto de pesquisas Vox Populi e fez doações ao Instituto Lula. Palocci relatou também que o petista recebeu dinheiro ilegal pela obra da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, que é objeto de inquérito da Polícia Federal.

*Com informações do repórter Matheus Meirelles