Dois professores brasileiros estão entre os 50 melhores do mundo

  • Por Jovem Pan
  • 12/01/2019 08h21
Marcos Santos/USP ImagensAmbos são finalistas em um prêmio que vai escolher o melhor professor do mundo e o vencedor ganhará US$ 1 milhão

Muitas vezes, quando o assunto “educação” chega à pauta dos noticiários, é para evidenciar problemas como a falta de incentivo aos profissionais ou as precárias condições encontradas Brasil afora. Mas desta vez não.

Isso porque dois professores brasileiros da rede pública entraram para um seleto grupo. Débora Garófalo, de São Paulo, e Jayse Ferreira, de Itambé, no Pernambuco, estão na lista dos 50 melhores professores do mundo.

Ambos são finalistas em um prêmio que vai escolher o melhor professor do mundo e o vencedor ganhará US$ 1 milhão.

Jayse e Débora perceberam que, mesmo com as adversidades do dia a dia, se houver inovação na relação de ensino, a aprendizagem ganha.

O professor pernambucano conta que inscreveu dois projetos que já venceram prêmios no Brasil, um deles usando a fotografia contra o bullying: “onde eu resgatei através da fotografia o orgulho e autoestima dos alunos, por terem peles e cores diferentes. O trabalho falava de como é bom ser diferente”.

No segundo projeto, usou as séries e filmes que os alunos gostavam e passou a fazer novos roteiros e dar novos finais, fazendo os conteúdos das aulas dialogarem com o universo dos estudantes. Jayse disse que há responsabilidade em estar entre os finalistas.

Para o professor, é necessário pensar na valorização dos profissionais e tirar os limites da educação: “muitas vezes a gente se limita que educar é apenas dentro da escola, mas isso é apenas um dos parâmetros”.

Débora Garófalo, por sua vez, passou a olhar de modo diferente a comunidade que está no entorno da escola em que leciona, na periferia de São Paulo. O problema da região era o lixo acumulado pelas ruas.

Em dias de chuva, até mesmo as aulas eram prejudicadas, pois os alunos ficavam ilhados nos alagamentos e com risco de contrair doenças. Foi aí que Débora pensou na robótica para resolver o problema, estimulando a construção de robôs com sucata tirada das ruas.

“Intensificamos as aulas nas ruas, trabalhando com a comunidade, batendo de porta em porta para falar de sustentabilidade, sobre também reutilizar, reciclar e reduzir a quantidade de lixo”, contou.

Em três anos de projeto, uma tonelada de lixo foi tirada da comunidade.

Os desafios, para Débora, ainda não acabaram, e participar do prêmio é uma chance de trazer luz à educação brasileira: “para servir de exemplo aos nossos alunos, que não é o lugar que determina o que eles podem ser, mas também o momento de a gente olhar com carinho para a educação pública brasileira”.

O Prêmio Global Teacher vai ser entregue em março, em Dubai. Os 50 finalistas venceram dez mil candidatos de 179 países.

*Informações do repórter Fernando Martins