Doria visita Rio Tâmisa em Londres e reacende debate da despoluição do Rio Pinheiros

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 11/07/2019 10h09
PixabayEm 1957 o Rio Tâmisa foi declarado como morto; governador de São Paulo tem projeto de projeto de despoluir o Pinheiros até dezembro de 2022

Nesta manhã de quinta-feira (11) eu falo das margens do rio Tâmisa aqui no centro de Londres porque existem muitas lições que São Paulo pode aprender com a história deste rio que já foi declarado morto por conta da poluição. Enquanto o estado mais rico do país tenta mais um projeto para despoluir o Pinheiros e o Tietê, Londres avança com a revitalização do Tâmisa.

O governador João Doria está aqui na capital britânica nesta semana e ontem conheceu um pouco mais sobre este projeto de longo prazo. Doria tem o compromisso de despoluir o Pinheiros até 2022 e concluir a despoluição do Tietê quatro anos mais tarde.

A história do Tâmisa é bem parecida com a dos rios paulistas. Em 1957, o Museu de História Natural aqui de Londres declarou o Tâmisa como morto.

Não havia mais oxigênio na água. Nem peixes. Nem outras formas de vida que não as bactérias. O problema todo estava relacionado ao esgoto lançado diretamente no Tâmisa.

Depois da Segunda Guerra Mundial, o antigo sistema vitoriano de esgoto da capital britânica foi parcialmente destruído pelos bombardeios alemães. O trabalho de reconstrução da rede de saneamento só recomeçou no final dos anos 1960 e foi crucial para limpar o Tâmisa.

Hoje o rio que corta a cidade abriga mais de 125 espécies de peixes, centenas de focas e botos. O Tâmisa também é usado para o transporte urbano com uma rede de balsas que atingiu 40 milhões de passageiros nos últimos 20 anos.

Mas o rio não está completamente despoluído – todos os anos 39 milhões de toneladas de esgoto são lançadas nestas águas. Por isso, Londres está construindo o chamado de Super Sewer, uma imensa tubulação de esgoto. Um túnel com 25 quilômetros de comprimento e sete metros de diâmetro está sendo escavado nesta parte central do Tâmisa. Essa rede vai coletar o esgoto que o sistema atual de saneamento não consegue lidar, evitando que ele chegue até o rio.

É uma obra complexa, iniciada em 2016 que só deve terminar em 2022. É também uma obra muito cara – estimada no equivalente a 25 bilhões de reais e que está sendo financiada pela iniciativa privada. O governador João Doria visitou ontem a empresa responsável por este projeto e disse que pretende usar algo semelhante em São Paulo.

Os projetos de despoluição dos rios Tietê e Pinheiros existem há décadas. A Sabesp investiu cerca de três bilhões de dólares desde 1992 no Projeto Tietê e afirma que ampliou os índices de coleta de esgoto da Região Metropolitana de São Paulo de 70% para 87%, e do tratamento, de 24% a 70%. Mas quem já passou por São Paulo sabe que o problema ainda está lá.

A empresa paulista de saneamento básico vai investir mais um bilhão e meio em ações para despoluir o rio Pinheiros. E a possibilidade de investimento privado para as obras de coleta do esgoto lançado diretamente no rio, como está sendo feito aqui em Londres, traz uma nova esperança para resolver o problema de São Paulo.

O governador me disse ontem aqui em Londres que, independente de seu futuro político, ele não tem intenção nenhuma de concorrer a um segundo mandato no Palácio dos Bandeirantes.

Então se o projeto de despoluir o Pinheiros até dezembro de 2022 realmente der certo, será uma marca de peso deixada pela administração dele.